Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Igreja no Mundo

az três anos que esta página é dedicada à história da Igreja, à sua situação atual em todos os continentes e à Nova Evangelização. Nesta perspectiva, desta vez apresentamos os Grupos Bíblicos em Família.

Esta prática pastoral iniciou, em todo o Brasil, na década de 60. No início eram chamados de Círculos Bíblicos, já que as pessoas se reuniam para ler e se aprofundar nos textos bíblicos. Mais tarde, no contexto do projeto de evangelização “Rumo ao Novo Milênio” (1996-2000), passaram a ser chamados com o nome de Grupos de Reflexão.

Os Grupos de Reflexão foram considerados um dos melhores instrumentos de reanimação das comunidades e de evangelização inculturada no mundo urbano. Hoje, os GR atualizam a prática das primeiras comunidades.

Continuando essa bonita caminhada, cada Igreja particular, sempre em consonância com a CNBB, e acentuando algum aspecto da vivência dos grupos, foi modificando o próprio nome. Um exemplo disso é a Arquidiocese de Florianópolis. Em sua última Assembléia de Pastoral, agosto de 2005, decidiu-se chama-los de GBFs (Grupos Bíblicos em Família), reconfirmando-os como prioridade na ação pastoral.

Nós gostamos da novidade e, no decorrer da entrevista com Maria Glória da Selva Luz, Coordenadora dos GBFs da Arquidiocesana de Florianópolis, usaremos esta sigla.

Missão Jovem: O que são os Grupos Bíblicos em Família?

Maria Glória: São sementes que crescem e frutificam para a construção do Reino de Deus. É o encontro de famílias e pessoas, nas casas ou apartamentos, para rezar, refletir e partilhar, à luz da Palavra de Deus, a realidade que os cerca, assumindo o compromisso de promover ações práticas que transformem a realidade. As primeiras comunidades cristãs nasceram nas casas, em pequenos grupos. Paulo, antes de sua conversão, entrava nas casas, onde estavam reunidos os cristãos, para prendê-los e aprisionálos. ( cf. At 8,3)

Missão Jovem: Por que os GBFs são prioridade?


Grupo de reflexão da Paróquia de São Benedito - Macapá-AP

Maria Glória: Num mundo que apresenta inúmeros e novos desafios: medo, individualismo, violência, divisão, egoísmo, desemprego..., os GBFs são de uma eficácia extraordinária. Eles tiram as pessoas da solidão e da massificação. Nesse contexto supracitado, eles são a Igreja que, com coragem e confiando nos Senhor Jesus, sai dos templos e vai evangelizar nas casas, orientando as famílias, dando-lhes ânimo e coragem. Trata-se de um novo jeito de ser Igreja hoje, reanimando as comunidades, evangelizando de uma forma mais inculturada, sobretudo no contexto urbano. Era este o jeito de ser Igreja das primeiras comunidades cristãs e que, ainda hoje, é muito atual e eficaz.

Missão Jovem: Como é que os GBFs se organizam na Arquidiocese?

Maria Glória: Na Arquidiocese existem em torno de três mil grupos. Para articular este trabalho, temos equipes em nível de comunidade, paróquia, comarca e Arquidiocese. Eles se reúnem periodicamente e realizam encontros de formaçãopara os animadores e animadoras. Um dia por semana é reservado para os grupos se encontrarem nas casas ou apartamentos.

Missão Jovem: Qual a contribuição dos GBFs no contexto das Pastorais?

Maria Glória: Trata-se de uma contribuição fundamental na formação dos cristãos. Nos GBFs, as pessoas se encontram e vivem a fraternidade, ligando a Palavra de Deus com a realidade, o chão da vida. Com simplicidade de coração, os membros dos grupos colocam seus talentos e carismas a serviço da comunidade, engajando-se na vida eclesial e, tornando-se protagonistas de uma nova sociedade.

Os GBFs muito contribuem para a renovação da consciência dos cristãos no que diz respeito à sua identidade e compromisso com a Igreja e com o Senhor Jesus que afirmou:

“Eu vim para que todos tenham vida e para que a tenham em abundância” (Jo 10,10).


Grupo de reflexão da Arquidiocese de Florianópolis

Nos GBFs todos são acolhidos. Rompe-se com o individualismo, o comodismo e o anonimato, fortalecendo os laços de amizade entre vizinhos e famílias.

É a igreja indo ao encontro das pessoas, principalmente as mais afastadas, doentes e empobrecidas:

“...se vocês tiverem amor uns para com os outros, todos reconhecerão que vocês são meus discípulos” (Jo 13,35).

Missão Jovem: Como é que alguém pode se tornar animador dos GBFs?

• Sendo uma pessoa consciente, alegre, animada, convicta da importância dos GBFs e de sua missão.

• Sabendo escutar, dialogar, ser paciente diante das diferenças e dificuldades, dando a cada membro o direito de expressão.

• Acreditando no Deus da vida e cultivando uma espiritualidade encarnada na realidade da comunidade.

• Alimentando sua fé na oração e na escuta da Palavra de Deus, para ser capaz de assumir a missão na gratuidade.

• Participando da formação continua juntos com os outros animadores.

Missão Jovem: Algo a mais a dizer sobre os GBFs?

Maria Glória: Sim, destacaria a grande contribuição no sentido de eles tornarem a Palavra de Deus mais conhecida; de se tornarem um grande sinal da vitalidade da Igreja e de sua irradiação missionária. Todos percebem também que os GBFs contribuem no fortalecimento das pastorais e dos movimentos criando, na diversidade da igreja, uma maior comunhão.

A vivência nos grupos é uma formação continua:

- todos aprendem e ensinam, trocam suas experiências, vivendo concretamente o amor e a solidariedade.

É a Igreja que se abre à escuta, ao diálogo, à simplicidade e à gratuidade, renovando a consciência de sua identidade e missão.

PARA DIALOGAR E AGIR:

1. O que é um grupo de reflexão?
2. Por que a Igreja valoriza tanto os grupos de reflexão?
3. Como devem funcionar os grupos de reflexão?
4. Quais os frutos de um bom grupo de reflexão?

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