Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Igreja no Mundo

Gosto de sonhar. Há dentro de nós um sonho que não pode ser manipulado. Somos livres para sonhar em todos os momentos em que queremos viver uma gota de esperança lançada do céu na nossa terra árida e deserta, neste mundo globalizado e capitalista que nos obriga a lutar pela sobrevivência. Matar o sonho do coração é matar a esperança que carregamos dentro de nós. Sonhar é sair da realidade, mas sem perder o contato com ela.

O SONHO

O maior e mais nobre sonho que podemos ter é o de transformar este mundo, que nos foi dado de graça, num mundo um pouco melhor, para assim entregá-lo aos que caminham conosco e aos que virão depois de nós, para que eles, sonhando, o melhorem um pouco mais.

Todos sonhamos com um trabalho melhor, uma família nova e cheia de vida, um mundo sem cadeias e sem drogas, sem explorações e sem mortes, uma sociedade na qual os pobres não existam mais, porque tudo será comum; um amanhã marcado pela realidade do sonho do Evangelho que se faz vida.

SONHAR O AMOR

Nada de mais belo que sonhar o amor. Fechar os olhos e se deixar levar, nas asas da esperança, lá onde o mal ainda não conseguiu penetrar.

Vaticano II: o sonho realizado

O sonho das bem-aventuranças é o sonho que Jesus tinha no coração: “felizes”, gritou Ele para todos que o escutavam... e ia sonhando com um mundo de justos, de puros, de famintos por justiça, paz; com gente que, deixando de lado o pranto, saboreia a beleza e a delicadeza perfumada do sorriso.

É Jesus quem, na linha profética, ensinou a todos nós os segredos para sermos sonhadores. É Ele quem sabia dizer para os que o escutavam com estômago vazio e com olhos quase extintos de tanto vigiar: “Olhai os lírios do campo e as aves do céu. Eles não semeiam, não fiam, e o Pai pensa neles.

Não vos preocupeis com o amanhã, cada dia tem sua preocupação” (Lc 12,27). E ensinava a pedir o pão, que nunca deveria faltar sobre as mesas.

SONHAR JUNTOS

É bom sonhar quando os sonhos se fazem multidão e nos contagiam. Aí o sonho se faz realidade, porque uma nova dinâmica, um novo entusiasmo entra em nós como fermento e nos faz lutar para transformar o sonho no hoje.

Eu não poderia mais viver sem sonhar e lutar para que os meus pequeninos sonhos contagiem os outros e eu possa ter, ao meu redor, sonhadores que fermentam a nova massa e façam um pão novo e perfumado.

Mas sonhar o quê? Tudo! Mas hoje eu quero, com você, que traz nos olhos o brilho do sonho, sonhar uma Igreja para o amanhã. Vamos lá, sonhando, cantando e gritando para todos que a Igreja do terceiro milênio, a minha, a sua Igreja, deve ser diferente, nova, sonhadora, criativa, dinâmica e, especialmente, revestida da nova fidelidade a Jesus de Nazaré, o sonhador do Pai, que veio para nos ensinar a sonhar.

E o Deus de sempre entra em comunhão com as pessoas de muitas maneiras, também através dos sonhos, como um dia se comunicou aos dois “Josés”, ou a tantos profetas.

A IGREJA QUE TEMOS

É claro que estou satisfeito com a Igreja, mãe e mestra, que eu tenho neste momento histórico que me é dado de viver.

Eu peguei a Igreja quando a Eucaristia ainda era celebrada de costas para o povo, que proibia às mulheres de entrar na igreja de calça comprida e de cabeça descoberta, onde o machismo se manifestava repetindo, com um certo orgulho, as palavras de Paulo apóstolo: “as mulheres na igreja calem-se”.(Tm 2,11)

E os leigos viviam à margem, mais espectadores do que atores no caminho da Igreja. Uma Igreja fechada em si mesma, excessivamente preocupada com suas estruturas; propondo uma vida cristã baseada mais sobre a ascese do que sobre o amor.

Mas o vento do Espírito Santo soprava entre as frestas abertas, um vento fecundo e vivo. Muitos tinham medo deste vento de primavera, do ar novo do Pentecostes que estava acontecendo.

ABRINDO PORTAS E JANELAS

E o Senhor, que é fiel à sua pedagogia de amor, para revolucionar a sua Igreja, se serviu de um Papa, considerado “de transição”, de passagem, já idoso, que não poderia fazer muitas coisas porque nem teria tempo e forças para tal.

O Papa João XXIII, o Papa do Concílio Vaticano II, que passou à história como o “Papa bom”, cheio de entusiasmo e de coragem profética, abriu as portas e as janelas da Igreja.

O Concílio foi o sonho de tantos sonhadores que se sentiam mal nas estruturas da Igreja daquele tem po, mas a amavam e sonhavam alto...

Uma liturgia participativa, celebrada na língua do povo, uma vida religiosa mais simples, normal, sem tantas aparências; uma Igreja mãe e peregrina, que pudesse sentir o sofrimento das migrações; uma comunidade de teólogos, de especialistas, de profetas que tivessem a coragem de gritar para todos que o Cristo era irmão, companheiro, salvador, e que tinha vindo para habitar entre nós e assumir, de uma forma nova, nossas dores e sofrimentos.

Uma Igreja que se libertou de muitas aparências. Hoje vemos bispos simples que, no meio do povo, revivem a alegria do contato com as multidões.

Uma Igreja missionária, sem fanatismos e nem mais fechada em si mesma, mas aberta a todos os povos e culturas.


No campo da vida, tu és um semeador!
Não podes fugir à responsabilidade de semear!
Não digas que o solo é árido, que não chove o suficiente,
que o sol queima ou que a semente não é da melhor qualidade!
Não é tua missão julgar a terra, o tempo e a semente; a tua missão é semear!
A semente é abundante.
Um sorriso amigo, um pensamento positivo, um olhar de alento, uma palavra suave, um gesto de compreensão...
são sementes que germinam facilmente.
Não semeies descuidadosamente como quem cumpre
uma missão superficial ou forçada!
Semeia com entusiasmo, atenção, alegria e amor,
como quem encontrou nisso motivo de felicidade!
Ao semear, não penses quanto receberás em troca
ou quanto demorará a colheita!
Recorda que não semeias para te envaidecer
nem para receber elogios e agradecimentos!
Tu semeias porque não podes estar ocioso;
porque não podes omitir-te na missão;
porque não podes viver sem dar e doar-te;
porque não podes servir a Deus sem servir aos que nos rodeiam,
necessitados de amor.
Tua semente não poderá cair no vazio ou deixar de ser semeada!
Sem esperar recompensas, tu a receberás; sem esperar riquezas,
enriquecerás; sem contar com a colheita, tudo se multiplicará.
E isso, porque tu semeias num Reino onde dar é receber;
onde perder a vida é encontrá-la, onde gastar a vida é aumentá-la.
Semeia, semeia sempre!
Semeia em todo terreno, em todo tempo, em todo lugar!
Semeia a boa semente, oportuna e inoportunamente!
Semeia com fé, alegria e esperança, como quem semeia o próprio coração!

Ir. Wilson Backes

SONHO QUE É REALIDADE

A Igreja de hoje um dia já foi um sonho. Mas será possível nos contentarmos com isso? Deixar de olhar o futuro e se contentar com o que somos e vivemos?

Os sonhos sempre agitam-se dentro de nós. E o Senhor enviou, para os sonhadores, o Papa “viajante”, João Paulo II, agitador de massas, que, com sua palavra profética, fez tremer as barreiras e cair o muro de Berlim. Pela sua influência, as ideologias comunistas e atéias, impostas por regimes, foram se desfazendo como o gelo ao sol, sem muita violência.

Não podemos parar neste sonho. Precisamos olhar para a frente e sentir o coração pulsar rumo ao futuro que o Senhor nos reserva.

A IGREJA QUE SONHO...

Os sonhadores têm sempre algo de diferente, suscitam medos e sorrisos. No entanto, é o sonho que nos impulsiona e nos faz fermento de uma nova realidade.

O povo de Israel sonhou por vários séculos com a terra prometida e, por fim, depois de muitas lutas, derrotas e esperanças, viu o sonho se tornar realidade. Continuou depois a sonhar com a vinda do messias. Este sonho sustentou-o por tantos séculos.

E Cristo nos apresentou o sonho de um mundo e de uma terra sem males e sem revoltas, onde a paz e a justiça se encontram no abraço definitivo, gerando a civilização de amor.

A Igreja que eu sonho é uma Igreja pobre, despida de qualquer aparência de autoritarismo, peregrina e nômade. Uma Igreja que não fica mais esperando o povo na porta, mas que sai pela rua afora, procurando as “ovelhas” que estão longe e, uma vez encontradas, carrega-as nos ombros, à imitação de Jesus, e convida-as a fazerem festa.

Uma comunidade cheia de vida, com seus alicerces e compromissos voltados a unir as forças de todos os homens e mulheres de boa vontade que lutam pelos direitos humanos.

Como é bonito ver o Papa João Paulo II, que estende a mão para todos e entra para rezar na mesquita e na sinagoga. Que sabe interceder junto com os hindus e budistas, sem diluir a grandeza da fé e do amor a Jesus de Nazaré, fonte e centro de toda libertação.

MISSIONÁRIA E MÃE

Sonho com uma Igreja missionária, não tanto pela palavra, mas pelo testemunho de vida, capaz de ser fermento no meio de todos. Embora a fé continue a vir pelo ouvido, hoje, mais do que nunca, vem pelo testemunho e pelo martírio.

Uma Igreja mãe, que mesmo não podendo fazer tudo o que os filhos pedem, pode sempre sentar-se com eles à mesa e animá-los a permanecerem interiormente unidos a Jesus.

Uma comunidade mestra da oração e cooperadora com tudo o que é bom, reto e santo; que abre seu coração e suas igrejas para todos os que buscam a Deus de coração sincero.

Muitas outras coisas deveria dizer sobre a Igreja que eu sonho, mas o nosso espaço é pouco. Então deixe que eu termine perguntando-lhe:

Qual é a Igreja que você sonha?

Como você se sente envolvido na transformação da comunidade/grupo onde vive?

Triste é um cristão que não sonha. Já se acomodou a tudo o que os outros alcançaram. Sonhar é acrescentar sempre algo de novo e não cansar de construir sempre sobre a pedra angular, que é Cristo, ontem, hoje e sempre.

Frei Patrício Sciadini, ocd

1.º Você sonha com uma Igreja diferente? Por quê?

2.º Se você sonha, qual é a Igreja que você sonha?

3.º Você está envolvido na transformação de sua comunidade/grupo? De que forma?

4.º Se você já parou de sonhar, qual a razão?

Visite as outras páginas

[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO] [MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E. - Missio] [Noticias] [Seminários] [Animação] [Biblioteca] [Links]

Voltar