Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Igreja no Brasil
A IGREJA DO BRASIL VOLTADA PARA A AMAZÔNIA
Os Bispos do Brasil definiram seis programas de ação solidária com a Igreja que se encontra na Amazônia. Tais programas surgiram como resposta à realidade desafiadora imposta pela extensão territorial, pela precariedade dos meios de comunicação e dos transportes, como também pela insuficiente presença da Igreja diante do número crescente de igrejas pentecostais. MEMÓRIA HISTÓRICA
Esta importante iniciativa surgiu em 1972, após uma visita à Amazônia de D. Aloísio Lorscheider, então presidente da CNBB. O programa consiste em uma generosa e recíproca colaboração de pessoal e custeio de determinadas atividades pastorais entres as dioceses do centro ou do sul do país e as circunscrições eclesiásticas do norte e nordeste. D. Erwin Kraütler, Bispo de Xingu, em Abril de 98 sentenciava: “A evangelização missionária não pode ser exclusivamente de institutos e organismos, mas tem de envolver toda a Igreja. O sujeito da missão é a própria Igreja... Venham em socorro à Igreja da Amazônia pelos seus desafios pastorais, pela extensão e importância no cenário mundial. A Amazônia continua Terra de Missão”. Na 40.ª Assembléia Geral da CNBB, em 2002, uma representação dos bispos da Amazônia, encabeçada pelo arcebispo de Manaus, D. Luiz Soares Vieira, discorreu sobre o tema: “A Amazônia: realidade, desafios pastorais e missão da Igreja”. As colocações feitas sensibilizaram a todos para a questão da Amazônia. Principais pontos apresentados:
REALIDADE E DESAFIOS PASTORAIS Ainda no contexto da Assembléia de 2002, a questão amazônica foi encarada como a prioridade das prioridades. Berço de grandes contradições, a Amazônia, vastidão enorme de terra ao lado de um grande número de sem terras, campo de incontável riqueza natural e, ao mesmo tempo, marcada pela pobreza urbana e rural, é uma realidade repleta de desafios pastorais. A pobreza produzida ao longo da história por uma relação de subordinação, de violência política e institucional, como pela exploração (em sua maioria de origem externa), marcou o povo da Amazônia.
O documento da Assembléia dos Regionais Norte I e II da CNBB, realizado em Manaus em 1997, afirma: ao mesmo tempo em que a abertura de novas estradas, a criação de novos núcleos humanos, a propagação dos meios de comunicação social, são fatores enriquecedores, constituem-se também em limitações e perigos:
A DIVERSIDADE em sua composição social feita por ribeirinhos, indígenas e áreas de grandes concentrações urbanas é certamente um grande desafio. A EXTENSÃO TERRITORIAL dos regionais da CNBB que assistem aquela região ocupam 42,07% do território nacional, quase metade do país. REFLEXÃO TEOLÓGICO PASTORAL Há aproximadamente 300 anos, o anúncio do evangelho chegou à Amazônia, trazido pelo entusiasmo e pelo desejo de evangelização dos primeiros missionários. A Igreja no Brasil volta hoje seu olhar para a Amazônia para um novo impulso da obra evangelizadora ali iniciada. “IDE POR TODO O MUNDO...”. (Mt 28,19) Apoiar a Igreja na Amazônia decorre não só do mandato missionário do Senhor, mas também do mandamento novo do amor fraterno. D. Erwin Kräutler cita os Atos dos Apóstolos (16,9), quando o apóstolo Paulo teve a visão de um macedônio que lhe pedia: “Vem à Macedônia, socorre-nos”. A Igreja da Amazônia surge no horizonte de outras Igrejas do Brasil repetindo: Vem à Amazônia, socorre-nos. Um ponto de destaque, dentro da reflexão teológico pastoral apresentada pelos bispos, traz o trecho do documento “Igreja: comunhão e Missão”, onde os bispos afirmam: “Toda comunidade eclesial deve interrogar-se permanentemente sobre seu espírito missionário, sobre sua real disposição e seu empenho no serviço do mundo e do Evangelho. Mas não basta que o espírito missionário se limite a suscitar algumas atitudes subjetivas, pessoais, com a vontade de doação ou disposição de servir. Muitas de nossas comunidades, examinando a si mesmas, constatarão – como outras já o fizeram – que uma parte muito pequena de seus recursos humanos e materiais está efetivamente voltada para a missão”.(n.º 10) Concluem os bispos: “Assumindo o Projeto da Amazônia, nossas Igrejas estarão trilhando um caminho que as ajudarão a serem fiéis, ao mesmo tempo, tanto ao imperativo missionário do Senhor quanto a seu mandamento de amor fraterno. É uma nova etapa de relacionamento entre as Igrejas da Amazônia e as demais Igrejas no país, que querem começar uma etapa de renovada fraternidade missionária”. PROGRAMAS PROGRAMA 1 – Para conhecer a Amazônia A) Promover seminários e debates envolvendo a Igreja em todas as Dioceses. B) Fazer um levantamento de todo o material que já foi produzido sobre a Amazônia: documentários, vídeos, músicas, artigos... C) Favorecer a divulgação de subsídios em todas as Dioceses, sobretudo nos Institutos de Formação Presbiteral, bem como nas escolas, reuniões e encontros pastorais. D) Organizar um mês missionário sobre a Amazônia. E) Fazer circular boletins sobre os trabalhos desenvolvidos. F) Promover, na mídia católica, programas específicos sobre a Amazônia. G)Montar um centro nacional de documentação sobre a Amazônia e a presença da Igreja na região. PROGRAMA 2 – Sobre as Universidades A) Fazer contato com a Abesc e Universidades católicas para encaminhar a possibilidade de presença na Amazônia. B) Criar “Campus avançados” de universidades em lugares variados da Amazônia. C) A longo prazo, buscar que esses “Campus” se tornem universidades. D) Promover diálogo com as Faculdades Católicas já existentes em Manaus. E) Criar a Universidade Católica da Amazônia. PROGRAMA 3 – Sobre as Igrejas Irmãs A) Procurar envolver todo o Regional.
C) Elaborar projetos inter-congregacionais com objetivos específicos e com determinado público-alvo. D) Promover contatos entre as Igrejas de fora e os bispos da Amazônia para determinar os locais mais necessitados. PROGRAMA 4 – Sobre a Formação Presbiteral A) Organizar projetos para três centros de formação: Manaus, Belém e Porto Velho. B) Formar uma Faculdade de Teologia em Manaus, envolvendo as Congregações Religiosas lá existentes. C) Promover o envio, por parte das Igrejas-irmãs, de pessoas qualificadas e especializadas, sobretudo presbíteros, para formação integral dos futuros presbíteros. D) Promover meios para o acompanhamento do processo formativo, inclusive humano-afetivo. PROGRAMA 5 – Sobre a Mística A) Aprofundar a espiritualidade missionária, aproveitando os documentos da Igreja, do Concílio Vaticano II aos documentos da CNBB. B) Implementar a Mística a partir dos trabalhos da Comissão. C) Para viver a Mística: dar da própria pobreza; • assumir a cultura local; D) Abordar o tema da Missão num futuro Retiro, durante a Assembléia Geral da CNBB, e abrir espaço para que a CRB, com seu poder articulador, incremente a Mística Missionária. Pe. Cláudio Cordovil - PIME |
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