Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Igreja no Brasil

A IGREJA DO BRASIL VOLTADA PARA A AMAZÔNIA

A 41.º Assembléia Geral da Confe-rência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, realizada em maio deste ano, entre outros temas abordou a questão social e econômica da realidade amazônica, sobretudo a necessidade e urgência de saciar sua fome e sede da Palavra de Deus. Oferecemos a vocês, leitores e leitoras, uma síntese do que foi apresentado pela Assembléia como resposta às interpelações Amazônicas.

Os Bispos do Brasil definiram seis programas de ação solidária com a Igreja que se encontra na Amazônia. Tais programas surgiram como resposta à realidade desafiadora imposta pela extensão territorial, pela precariedade dos meios de comunicação e dos transportes, como também pela insuficiente presença da Igreja diante do número crescente de igrejas pentecostais.

MEMÓRIA HISTÓRICA

Como resposta aos apelos históricos do povo de Deus de rosto indígena, ribeirinho e caboclo, foi constituída a Comissão Episcopal da Amazônia. Ela representa o amadurecimento de iniciativas missionárias realizadas, ao longo dos anos, por um bom número de dioceses do Brasil através do programa Igrejas-Irmãs.

Esta importante iniciativa surgiu em 1972, após uma visita à Amazônia de D. Aloísio Lorscheider, então presidente da CNBB. O programa consiste em uma generosa e recíproca colaboração de pessoal e custeio de determinadas atividades pastorais entres as dioceses do centro ou do sul do país e as circunscrições eclesiásticas do norte e nordeste.

D. Erwin Kraütler, Bispo de Xingu, em Abril de 98 sentenciava:

“A evangelização missionária não pode ser exclusivamente de institutos e organismos, mas tem de envolver toda a Igreja. O sujeito da missão é a própria Igreja... Venham em socorro à Igreja da Amazônia pelos seus desafios pastorais, pela extensão e importância no cenário mundial. A Amazônia continua Terra de Missão”.

Na 40.ª Assembléia Geral da CNBB, em 2002, uma representação dos bispos da Amazônia, encabeçada pelo arcebispo de Manaus, D. Luiz Soares Vieira, discorreu sobre o tema: “A Amazônia: realidade, desafios pastorais e missão da Igreja”. As colocações feitas sensibilizaram a todos para a questão da Amazônia.

Principais pontos apresentados:

  • A missão que fora até então assumida nesta região pelos missionários oriundos de outros países é agora um desafio à Igreja do Brasil.
  • É urgente a formação para um espírito missionário mais forte e a promoção do conhecimento da realidade amazônica para nossos atuais seminaristas.
  • É preciso reforçar a presença missionária junto aos povos indígenas. O Bispo deve estar presente com as equipes indigenistas e incentivar, corrigir, apoiar a Evangelização e a promoção humana destes povos. Que os missionários respeitem a história e as culturas e expressões religiosas que os índios guardam no coração como própria história.
  • É preciso preparar os missionários e missionárias para a Amazônia, porque, mesmo sendo brasileiros(as), precisam inculturar-se no meio destes povos.

REALIDADE E DESAFIOS PASTORAIS

Ainda no contexto da Assembléia de 2002, a questão amazônica foi encarada como a prioridade das prioridades. Berço de grandes contradições, a Amazônia, vastidão enorme de terra ao lado de um grande número de sem terras, campo de incontável riqueza natural e, ao mesmo tempo, marcada pela pobreza urbana e rural, é uma realidade repleta de desafios pastorais. A pobreza produzida ao longo da história por uma relação de subordinação, de violência política e institucional, como pela exploração (em sua maioria de origem externa), marcou o povo da Amazônia.


Este quadro comparativo de distribuição da presença da Igreja no Brasil retrata o fato de não termos feito muito para corrigir a má distribuição dos presbíteros, religiosos e religiosas:

 
NORTE
SUDESTE
SUL
Circunscrições Eclesiásticas
34
88
45
Número de Paróquias
508
3.848
1.717
Número de Presbíteros Diocesanos
384
3.984
1.835
Número de Presbíteros Religiosos
596
2.999
1.838
Habitantes por Presbítero
11.800
9.600
6.200
População por Paróquia
25.400
18.800
14.600
Número de Religiosos (Irmãs e Irmãos)
2.118
14.916
10.766
Padres Religiosos
596
2.999
1.838

COMISSÃO EPISCOPAL DA AMAZÔNIA
Presidente: Dom Jaime Henrique Chemello - bispo de Pelotas - RS
Membros da Comissão:

Dom Luiz Soares Vieira, Arcebispo de Manaus-AM
Dom Moacyr Grechi,OSM, Arcebispo de Porto Velho-RO
Dom Ricardo Pedro Chaves Pinto Filho, Opraem, Arcebispo de Pouso Alegre-MG
Dom Antônio Ribeiro de Oliveira, Arcebispo Emérito de Goiânia-GO
Dom Erwin Kräutler,CPPS, Bispo Prelado do Xingu-PA
Dom Nei Paulo Moretto, Bispo de Caxias do Sul-RS
Dom Antônio Celso de Queiroz, Bispo de Catanduva-SP
Dom Frei Francisco Javier Hernández Arnedo, Bispo de Tianguá-CE

O documento da Assembléia dos Regionais Norte I e II da CNBB, realizado em Manaus em 1997, afirma: ao mesmo tempo em que a abertura de novas estradas, a criação de novos núcleos humanos, a propagação dos meios de comunicação social, são fatores enriquecedores, constituem-se também em limitações e perigos:

  • Antigas e novas marginalizações;
  • Estruturas inadequadas, importadas ou opressivas;
  • Desenvolvimento econômico feito sem ou contra o próprio ser humano;
  • Violação de direitos básicos, como a posse da terra;
  • Injusta distribuição dos recursos materiais e dos incentivos públicos;
  • Divulgação publicitária que altera o enfoque da situação real.

A DIVERSIDADE em sua composição social feita por ribeirinhos, indígenas e áreas de grandes concentrações urbanas é certamente um grande desafio.

A EXTENSÃO TERRITORIAL dos regionais da CNBB que assistem aquela região ocupam 42,07% do território nacional, quase metade do país.

REFLEXÃO TEOLÓGICO PASTORAL

Há aproximadamente 300 anos, o anúncio do evangelho chegou à Amazônia, trazido pelo entusiasmo e pelo desejo de evangelização dos primeiros missionários. A Igreja no Brasil volta hoje seu olhar para a Amazônia para um novo impulso da obra evangelizadora ali iniciada.

“IDE POR TODO O MUNDO...”. (Mt 28,19)

Apoiar a Igreja na Amazônia decorre não só do mandato missionário do Senhor, mas também do mandamento novo do amor fraterno.

D. Erwin Kräutler cita os Atos dos Apóstolos (16,9), quando o apóstolo Paulo teve a visão de um macedônio que lhe pedia: “Vem à Macedônia, socorre-nos”. A Igreja da Amazônia surge no horizonte de outras Igrejas do Brasil repetindo: Vem à Amazônia, socorre-nos.

Um ponto de destaque, dentro da reflexão teológico pastoral apresentada pelos bispos, traz o trecho do documento “Igreja: comunhão e Missão”, onde os bispos afirmam: “Toda comunidade eclesial deve interrogar-se permanentemente sobre seu espírito missionário, sobre sua real disposição e seu empenho no serviço do mundo e do Evangelho.

Mas não basta que o espírito missionário se limite a suscitar algumas atitudes subjetivas, pessoais, com a vontade de doação ou disposição de servir. Muitas de nossas comunidades, examinando a si mesmas, constatarão – como outras já o fizeram – que uma parte muito pequena de seus recursos humanos e materiais está efetivamente voltada para a missão”.(n.º 10)

Concluem os bispos: “Assumindo o Projeto da Amazônia, nossas Igrejas estarão trilhando um caminho que as ajudarão a serem fiéis, ao mesmo tempo, tanto ao imperativo missionário do Senhor quanto a seu mandamento de amor fraterno. É uma nova etapa de relacionamento entre as Igrejas da Amazônia e as demais Igrejas no país, que querem começar uma etapa de renovada fraternidade missionária”.

PROGRAMAS

PROGRAMA 1 – Para conhecer a Amazônia

A) Promover seminários e debates envolvendo a Igreja em todas as Dioceses.

B) Fazer um levantamento de todo o material que já foi produzido sobre a Amazônia: documentários, vídeos, músicas, artigos...

C) Favorecer a divulgação de subsídios em todas as Dioceses, sobretudo nos Institutos de Formação Presbiteral, bem como nas escolas, reuniões e encontros pastorais.

D) Organizar um mês missionário sobre a Amazônia.

E) Fazer circular boletins sobre os trabalhos desenvolvidos.

F) Promover, na mídia católica, programas específicos sobre a Amazônia.

G)Montar um centro nacional de documentação sobre a Amazônia e a presença da Igreja na região.

PROGRAMA 2 – Sobre as Universidades

A) Fazer contato com a Abesc e Universidades católicas para encaminhar a possibilidade de presença na Amazônia.

B) Criar “Campus avançados” de universidades em lugares variados da Amazônia.

C) A longo prazo, buscar que esses “Campus” se tornem universidades.

D) Promover diálogo com as Faculdades Católicas já existentes em Manaus.

E) Criar a Universidade Católica da Amazônia.

PROGRAMA 3 – Sobre as Igrejas Irmãs

A) Procurar envolver todo o Regional.

B) Aproveitar a parceria com a CRB (Conselho de Religiosos do Brasil).

C) Elaborar projetos inter-congregacionais com objetivos específicos e com determinado público-alvo.

D) Promover contatos entre as Igrejas de fora e os bispos da Amazônia para determinar os locais mais necessitados.

PROGRAMA 4 – Sobre a Formação Presbiteral

A) Organizar projetos para três centros de formação: Manaus, Belém e Porto Velho.

B) Formar uma Faculdade de Teologia em Manaus, envolvendo as Congregações Religiosas lá existentes.

C) Promover o envio, por parte das Igrejas-irmãs, de pessoas qualificadas e especializadas, sobretudo presbíteros, para formação integral dos futuros presbíteros.

D) Promover meios para o acompanhamento do processo formativo, inclusive humano-afetivo.

PROGRAMA 5 – Sobre a Mística

A) Aprofundar a espiritualidade missionária, aproveitando os documentos da Igreja, do Concílio Vaticano II aos documentos da CNBB.

B) Implementar a Mística a partir dos trabalhos da Comissão.

C) Para viver a Mística: dar da própria pobreza;

• assumir a cultura local;
• estar pronto ao sacrifício.

D) Abordar o tema da Missão num futuro Retiro, durante a Assembléia Geral da CNBB, e abrir espaço para que a CRB, com seu poder articulador, incremente a Mística Missionária.

Pe. Cláudio Cordovil - PIME
E-mail: pe.claudio@missaojovem.com.br

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