Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Igreja no Brasil


o dia 30 de abril ao dia 9 de maio deste ano aconteceu a 41.ª Conferência Nacional da CNBB. Além da eleição da nova presidência foram definidas e aprovadas as “Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil - 2003-2006”.

Acreditamos ser de fundamental importância a publicação do conteúdo das Diretrizes, principalmente por dois motivos:

• PARA CONHECER AS DIRETRIZES da Igreja no Brasil e, conseqüentemente, haver um trabalho de comunhão em todas as comunidades brasileiras;

• PARA QUE CADA DIOCESE, paróquia, comunidade, pastoral, movimento, ordem religiosa etc. possa incorporar este conteúdo nos respectivos planejamentos.

A CNBB decidiu-se por diretrizes e não planos para favorecer uma maior adaptação às diversas realidades regionais do país.

Estas diretrizes, mais do que novas estruturas, sugerem um novo espírito, um novo ardor, um novo impulso ao processo de evangelização da nossa Igreja.

Dentro dessa perspectiva, foi definido o seguinte objetivo geral:

Evangelizar proclamando a Boa Nova de Jesus Cristo, caminho para a santidade, por meio do serviço, diálogo, anúncio e testemunho de comunhão, à luz da evangélica opção pelos pobres, promovendo a dignidade da pessoa, renovando a comunidade, formando o povo de Deus e participando da construção de uma sociedade justa e solidária, a caminho do Reino definitivo.

MISSÃO DA IGREJA: EVANGELIZAR
(Capítulo I)

O encontro com Cristo acontece num contexto cultural. Por isso, a inculturação é dimensão intrínseca da evangelização e as quatro exigências da evangelização devem sempre estar presentes: serviço, diálogo, anúncio e testemunho.

O evangelizador ou a evangelizadora - fazendo-se presente num ambiente ou numa cultura não evangelizada - deverá, em primeiro lugar, buscar reconhecer seus valores e se fazer acolher, mostrando disposição ao serviço e à solidariedade para com aquela cultura e aquele povo.

À medida que o evangelizador ou evangelizadora se inserir numa cultura ou numa comunidade, comunicar-se-á com ela e iniciará um diálogo, para refletir com os outros sobre o sentido da vida, a fé em Deus, a oração, o motivo da missão.

Esse diálogo tornará possível um anúncio do Evangelho que possa ser entendido e acolhido, suscitando a fé em Cristo.

Unida pela fé, nascerá uma nova comunidade cristã, chamada a dar testemunho dos valores em que crê, celebra e vive na fraternidade e na fidelidade ao Evangelho.

A evangelização exige muita atenção à situação em que vivemos, sincera abertura de espírito e solidariedade diante das aspirações, angústias e interrogações de nossa época. A centralidade da ação da Igreja é a evangelização, que acontece através dos seguintes ministérios.

1) Ministério da Palavra: na liturgia, na leitura pessoal e orante da Bíblia, nos grupos de famílias e círculos bíblicos, na catequese (crianças, pais, adultos, família), nos cursos de formação bíblica e teológica, no ensino religioso, na pregação...

2) Ministério da Liturgia: é o momento mais visível da comunidade eclesial, é fonte e vértice da vida cristã. Deve ser participada, consciente, seguindo as orientação da Igreja. Valorizar o domingo, cujo coração é a Eucaristia, celebrar bem os sacramentos, acolher a todos, estar atento à religiosidade popular...

3) Ministério da Caridade: é a essência da vida cristã. A comunhão fraterna leva ao serviço aos pobres. Dar atenção às novas formas de pobreza, não cair no assistencialismo, defender os direitos humanos, participar da vida política...

NOVOS DESAFIOS DO NOVO MILÊNIO
(Capítulo II)

Entre os principais desafios deste novo milênio, pode-se destacar os seguintes:

• Complexidade da sociedade: ciência, tecnologia, economia, política, comunicações, ideologias, religião...

• Globalização: geração de desigualdades, aumento dos riscos, insegurança, perigos de catástrofes ecológicas e químicas...

• Reação das pessoas: passividade, imediatismo, da satisfação aqui e agora...

• A busca da felicidade: embora legítima, tem fragilizado as relações sociais, os compromissos duradouros, as instituições.

• Enfraquecimento da política.

• Aumento do desemprego.

• Urbanização: está enfraquecendo as comunidades tradicionais.

• Subjetivismo: escolha de valores a partir de opções pessoais, inclusive a religião.

VISÃO GERAL

O esquema geral das Diretrizes destaca o tríplice múnus de Cristo: profeta, sacerdote e Rei-pastor. É um critério muito importante para avaliarmos nosso trabalho pastoral e faz perceber a centralidade da evangelização, direcionando a ação para a Pessoa, a Comunidade e a Sociedade.

Estes três eixos querem servir de referencial para as análises do momento socioeclesial atual e a produção dos futuros planos de pastoral das dioceses e paróquias, visando à evangelização aberta às suas quatro exigências: serviço, diálogo, anúncio e comunhão.

EVANGELIZAR
Proclamando a Boa Nova de Jesus Cristo

  1. No Ministério da Palavra
    (Profeta)
  2. No Ministério da Liturgia
    (Sacerdote)
  3. No Ministério da Caridade (Rei-Pastor)
Para
formar o povo de
Deus

• Promovendo a Pessoa

• Renovando a Comunidade

• Construindo a Sociedade
justa e solidária

Serviço

Anúncio

Diálogo

Testemunho

• Inversão da experiência religiosa: utilidade para o indivíduo e não o culto a Deus.

• Família: ainda é um apoio fundamental, mas está fragilizada.

• Cultura do individualismo: Apesar disso, há movimentos sociais que se articulam em favor de causas mais amplas.

• O censo demográfico do IBGE revela: diminuem os cristãos católicos, aumentam os cristãos evangélicos e os “sem religião”.

DIRETRIZES DE AÇÃO
(Capítulo III
)

Os desafios da atualidade são numerosos e complexos. Procurando ser fiel à missão da Igreja e para evitar a dispersão na ação evangelizadora, as Diretrizes destacaram três âmbitos de ação: pessoa, comunidade e sociedade.

1. Promover a dignidade da pessoa

Diante do desejo de autonomia, individualismo, consumismo e desrespeito à vida, a Igreja propõe a dignidade absoluta da pessoa, amada por Deus e chamada à santidade.

Pistas de ação:

Serviço: acolhida e orientação de todas as pessoas, atenção às necessidades básicas (alimentação, saúde, moradia...), educação em todos os níveis (inclusive profissional), educação de todos à solidariedade e à cidadania (centros e cursos de formação, formação da juventude, formação do espírito crítico, serviços de terapia e aconselhamento...), serviços especiais em favor dos idosos, dos migrantes e das crianças e jovens em situação de risco.

Diálogo: educação para o diálogo entre pessoas, entre igrejas, entre religiões, entre culturas.

Anúncio: anúncio do Evangelho a todos os povos e culturas, através de encontros pessoais e pelo testemunho e cooperação missionária, também ad gentes. A formação missionária deve ocupar um lugar central na vida cristã.

Testemunho de comunhão: formar comunidades fraternas, tratar a todos com igual dignidade, promover articulação com movimentos, comunidades e pastorais, planejar participativamente, informar a todos, promover a participação da mulher, capacitar, usar e formar para os meios de comunicação, etc.

2. Renovar a comunidade

Diante da fragmentação da vida, isolamento das pessoas, enfraquecimento da família, diluição da vida comunitária, violência, etc, a Igreja precisa propor relações mais humanas, solidárias e fraternas, como característica essencial da vida cristã, tendo por modelo a Santíssima Trindade.

Pistas de ação:

Serviço: educar para o relacionamento solidário e fraterno, reforçar e renovar a família, criar comunidades menores, tomar iniciativas solidárias e em favor das necessidades mais urgentes, usar os meios de comunicação, valorizar o trabalho e o trabalhador, atender casos especiais (HIV, drogas...), atender migrantes e turistas, etc.

Diálogo: superar discriminações, enfatizar o ecumenismo, aproximar-se de outras religiões, defender a liberdade religiosa, preservar culturas (índios, negros...), dialogar internamente na Igreja...

Anúncio: pregar e testemunhar fraternidade, usar as mais variadas formas de anúncio (pregações, missões, TV, etc.), atenção especial a grupos especiais, missões ad gentes etc.

Testemunho de comunhão: comunidades eclesiais menores, incentivar e respeitar formas associativas e comunitárias diferentes, valorizar a paróquia e buscar estruturas alternativas de organização e evangelização, valorizar movimentos e comunidades religiosas, valorizar ministérios, buscar espiritualidade de comunhão entre paróquias, etc.

3. Construir a sociedade solidária

Diante da desigualdade crescente na sociedade, entre municípios, regiões, pessoas... a Igreja apresenta a proposta cristã: promover iniciativas solidárias (mutirão, Campanha da Fraternidade, voluntariado, pastorais sociais...), conhecer a realidade mediante estudos aprofundados, reivindicar políticas públicas, lutar por uma justa distribuição de renda e por uma educação ecológica, combater a corrupção e a violência, respeitar as diferenças, reivindicar participação política, incentivar a presença de cristãos na política, defender valores éticos, etc.

Pistas de ação:

Serviço: empenho social pela cidadania, pesquisas sobre a realidade, acompanhamento dos políticos, democratizando as informações, atendendo migrantes...

Diálogo: colaborar com os outros grupos religiosos e com grupos políticos, apoiar ONGs, valorizar outras legítimas culturas religiosas, etc.

Anúncio: Mostrar coerência com a fé, ser fermento de libertação e transformação social, evitar o “comércio” religioso, usar bem os novos meios de comunicação, promover a pastoral urbana, valorizar a religiosidade popular, incentivar a participação dos jovens etc.

Testemunho de comunhão: toda a comunidade deve ser solidária, educar os católicos na Doutrina Social da Igreja, educar à solidariedade e ao engajamento, celebrar os grandes momentos da comunidades... As comunidades eclesiais precisam ter consciência de que devem praticar, elas mesmas, a solidariedade que pregam para a sociedade. Uma das formas de fazer isso é partilhar recursos humanos e materiais entre dioceses e paróquias ricas e pobres.

UMA RECEPÇÃO CRIATIVA

Tão importante quanto a produção de um texto é sua recepção. Num primeiro momento é desejável que as dioceses promovam o estudo de seu texto com o presbitério, os Conselhos Diocesanos e os leigos e leigas engajados nos vários ministérios e serviços. O mesmo se espera das paróquias, comunidades, pastorais e grupos. Os meios de comunicação têm também um papel muito importante.

Após essa fase de estudo e reflexão, as Diretrizes deverão estar sempre presentes, como perspectiva orientadora, nas Assembléias e na elaboração dos planos e projetos pastorais.

Segundo João Paulo II, agora devemos olhar para frente, “fazer-nos ao largo” (Lc 5, 4). Há muito trabalho à nossa espera; por isso, devemos pôr mãos a uma eficaz programação pastoral.

Mauri Luiz Heerdt
edital@missaojovem.com.br

UM ALEGRE ANÚNCIO

As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil para o quadriênio 2003-2006 deverão inspirar as dioceses, paróquias e comunidades na elaboração de seus planos pastorais. Um plano pastoral nada mais é do que proposta, um caminho de santidade para uma comunidade.

Essas Diretrizes nos recordam que a missão permanente da Igreja se resume num verbo: evangelizar. Mas, nessa missão, a Igreja enfrenta atualmente imensos desafios - por exemplo: funcionam em nossa sociedade muitos sistemas autônomos, como a ciência, a tecnologia, a economia, a política, a comunicação, a religião, etc; cresce o fenômeno da globalização: facilmente se globalizam os problemas, mas nem sempre os gestos de solidariedade; busca-se a satisfação imediata; a política está enfraquecida; diminuem os postos de trabalho; as comunidades tradicionais encontram-se enfraquecidas; as pessoas constroem sua própria identidade e até mesmo sua religião; a família se desagrega; diminui a porcentagem dos cristãos católicos; cresce o número de ateus, etc. Como, nessa situação, levar a Boa Nova de Cristo a todos?

As novas Diretrizes, mais do que novas estruturas, sugerem um novo espírito, um novo ardor, um novo impulso no processo evangelizador de nossa Igreja (cf. n. 206). “Agora, devemos olhar para frente, temos de ir para águas mais profundas (cf. Lc 5,4). “Na causa do Reino, não há tempo para olhar para trás, menos ainda para dar-se à preguiça. Há muito trabalho à nossa espera.” Para que nosso trabalho seja eficaz, é necessário ter um plano pastoral. E um plano que, como lemos no Objetivo Geral da ação evangelizadora, insista que Jesus Cristo “é caminho para a santidade”. Ele, o Peregrino de Emaús, nos acompanha, aquecendo nossos corações com suas palavras e deixando-se reconhecer “ao partir o Pão”. Deseja que, então, nos tornemos suas testemunhas, isto é, que corramos ao encontro de todos com um alegre anúncio: “Vimos o senhor!” (Jo 20,25).

Dom Murilo S.R. Krieger, scj
Arcebispo de Florianópolis-SC

PARA REFLETIR

1) Por que a CNBB preferiu apresentar diretrizes para a ação evangelizadora e não um plano pronto?

2) Quais são as características principais das diretrizes da ação evangelizadora da Igreja no Brasil?

3) Como cada diocese, paróquia, pastoral... poderá implementar as diversas diretrizes em seus planos de pastoral?

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