Jornal - "MISSÃO JOVEM"

História do Mês

ansiedade de rever meu único filho 30 anos depois, me deixou acordada quase a noite toda. Hoje era o dia em que conheceria o rosto de quem eu conhecia somente o coração. No hospital, há três décadas, alguém sem amor tirou-o de mim quando ainda estava desacordada pela anestesia do parto.

A carta que recebi dois dias atrás era de um homem que dizia ser o meu Pedrinho. Em poucas linhas, Moisés, como o chamaram, contou-me como ficou sabendo que não vivia com sua verdadeira mãe e como se iniciou sua busca por mim.

Foram longos três anos até que se deparasse com um insistente cartaz que eu pregava na catedral, com os detalhes do seqüestro.

Agora ele me convidava para um encontro:

10h. na Praça Central.

Na carta me dizia:

"A senhora me reconhecerá, pois estarei com uma rosa na mão".

Então, na hora marcada eu estava na dita praça, procurando por um filho cujo coração eu amava, mas cuja face eu nunca havia visto.

Ali estava, quando um jovem senhor se aproximou de mim. Ele era alto e forte. Tinha cabelos ondulados como de anjos que contrastavam com seu terno elegante. Eu me dirigi a ele, inteiramente esquecida da rosa que estaria carregando. Como eu me movi em sua direção, ele sorriu e comentou:

- Parece ansiosa!

Quase que incontrolavelmente dei um passo para junto dele, e então vi Moisés, o meu Pedrinho. Ele estava sentado no banco com a rosa na mão, quase que exatamente atrás do jovem. Era um homem que aparentava ter bem mais de trinta anos. As muletas postadas ao lado evidenciavam a amputação de uma das pernas. Sua barba para fazer, e sua roupa um tanto suja eram o retrato de tantos homens que andam pelas ruas sem destino.

O jovem seguiu seu caminho rapidamente. Eu me senti como se tivesse sido dividida em duas, tão forte era o meu desejo de segui-lo e tão forte era o desejo de ver aquele Pedrinho que sonhei, durante 30 anos, forte, saudável e feliz, como toda mãe sonha para seu filho.

Moisés tinha a feição cansada e triste. No entanto, seu olhar cativante pedia carinho e amor, amor de mãe.

Não hesitei.

Meus dedos tocaram sua barba já grisalha e, num ímpeto, o abracei dizendo:

- Estou muito feliz em te encontrar meu filho. Sonhei com este encontro todo este tempo de sua ausência.

O rosto do homem abriu-se num tolerante sorriso e me disse:

- Eu não sei o que está acontecendo! Aquele jovem senhor que acabou de passar pediu que eu segurasse essa rosa. Disse-me também que se a senhora me abraçasse e me chamasse de filho eu deveria lhe entregar este bilhete.

Tentando limpar os olhos inundados de lágrimas, li o que estava escrito:

"Minha querida mãe, sou um homem muito rico agora. Desde que saí atrás da senhora, muitas outras mulheres apareceram fazendo passar-se pela senhora. Todas interessadas na minha fortuna. Sabia que o dia que encontrasse uma mãe, a minha mãe, ela me amaria pelo que eu sou. Se olhares agora para trás, verás que estou vindo em sua direção, pois sempre te amei, mamãe!".

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