Jornal - "MISSÃO JOVEM"

História da Igreja


Os primeiros livros usados pelos cristãos na liturgia e na formação da fé foram, evidentemente, os escritos no Antigo Testamento e, depois, as Cartas de Paulo, Pedro, Tiago, Judas, João, os Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas, João, os Atos dos Apóstolos e o Apocalipse.

Anúncio e defesa da fé cristA a palavra escrita

Para a edificação e fortalecimento das comunidades, era costume narrar-se o martírio de cristãos. Esses “Atos de Mártires” eram sucessivamente enviados às outras igrejas, que se entusiasmavam e fortaleciam com sua leitura. Outros livros, que a Igreja não aceitou como fiel expressão da fé cristã, receberam o nome de apócrifos, não revelados, não canônicos. Entre esses citamos o Evangelho de Tomé, o Evangelho de Pedro, a Infância de Jesus, a Vida de Maria, o Testamento dos XII Patriarcas e a Ascensão de Moisés.

A Igreja manteve sempre muita vigilância sobre a literatura religiosa, para que fosse conservada íntegra a unidade da fé entre as comunidades e diante do mundo. O entusiasmo religioso, o fervor dos convertidos sempre correu o perigo de resvalar para a heresia e a fantasia.

Após o Novo Testamento, os escritos cristãos mais antigos são cartas que serviam de estímulo e instrução para as comunidades. Falam da salvação em Cristo, exortam a que todos esperem com confiança a volta do Senhor, pedem a união com os pastores e que não se deixem seduzir pelas heresias.

Estes primeiros escritores são chamados de Pais-Padres Apostólicos: Barnabé, Clemente de Roma, Inácio de Antioquia, Policarpo de Esmirna, Pápias de Hierápolis e a Carta a Diogneto, esta última apresenta uma bela descrição dos cristãos: eles vivem no mundo, participam de tudo, se parecem com todos, mas são diferentes, pois um outro espírito os anima.

Outro conjunto de escritos, dos séculos II e III, versam sobre a vida das comunidades cristãs. São muito importantes porque retratam a vida litúrgica, a organização e os costumes das comunidades. Destacamos os dois mais famosos:

A Didaqué - Doutrina dos Apóstolos, que alguns autores pensam ter sido escrito ainda nos tempos apostólicos, é uma espécie de catecismo, pois encerra prescrições litúrgicas para o batismo, preceitos sobre o jejum, a oração e o domingo, determinações para as autoridades na Igreja e a doutrina dos dois caminhos.

A Tradição Apostólica de Hipólito, redigida em Roma pelo ano de 215, transmite-nos informações sobre a antiga liturgia romana e é o primeiro escrito que descreve minuciosamente e registra orações litúrgicas. Também trata dos ofícios e ministérios na comunidade, como eleição e sagração de bispos e ordenação de presbíteros e diáconos.

Os cristãos não tiveram que enfrentar somente a crueldade da perseguição que gerava mártires. O paganismo também, desembainhando as armas intelectuais, atacou os fundamentos da fé cristã. São escritores pagãos que agem em defesa da religião imperial romana, da antiga filosofia, pensando estar defendendo a própria unidade do Império.

Celso é o mais conhecido destes escritores. Ele conhecia o Antigo Testamento e os Evangelhos. Pelo ano 178 ele escreveu o Discurso Verdadeiro, onde ataca as doutrinas cristãs da encarnação e da redenção e apresenta a vida de Jesus como fruto de enganos e fábulas.

Porfírio, que talvez já tenha sido catecúmeno, é outro destes polemistas. Pelo ano 270 ele publicou Contra os cristãos e Filosofia derivada dos oráculos, oferecendo aos pagãos uma doutrina que afirmava ser de revelação divina.

O Imperador Marco Aurélio

Marco Aurélio (121-180), imperador e filósofo, também buscou desmoralizar os cristãos, especialmente acusando-os de odiarem a raça humana pelo seu desprendimento em sofrer o martírio.

Muitos desses intelectuais procuravam demonstrar que os cristãos eram gente sem eira nem beira, e que a fé cristã era coisa para gente fracassada ou desocupada.

Luciano de Samósata é outro polemista que fez muito sucesso pelo ano 170 através da obra A morte de Peregrino, história de um filósofo necromante e errante, ridicularizando os cristãos pelo amor fraterno e desprezo pela morte.

Luciano quer retratar os cristãos como gente ignorante vítima de embusteiros. Estas obras e outras se constituíram numa forte tentativa de menosprezar a nova fé e evitar a adesão de novos membros.

As obras anti-cristãs desafiaram a Igreja a elaborar um outro tipo de literatura, dando-lhe aspecto científico, em forma apologética, isto é, de defesa frente aos ataques de intelectuais pagãos. Um grande número de pessoas, com sólida formação intelectual, entrara na Igreja e sentiu a necessidade do confronto com a filosofia pagã. A fé não nega a inteligência, pelo contrário, a confirma.

Nascem as Apologias, mediante as quais o cristianismo abriu-se para o mundo, saindo dos pequenos grupos em que se isolava.

Os apologistas não só expõem a fé cristã, mas vão além, demonstrando que a nova religião é o coroamento das mais altas aspirações do ser humano. Em outras palavras, o cristianismo é a realização plena e definitiva de todo o processo religioso e intelectual do ser humano.

Alguns deles: Quadrato, Aristão, Milcíades, Apolinário, Melitão de Sardes, Aristides e, mais tarde Tertuliano com o Apologeticum.

Moisés e a travessia do Mar Vermelho (Catacumba de Via Latina, Roma)

São Justino, filósofo mártir (+ 165), é o mais conhecido dos apologistas. Nascido de família pagã, desde a juventude se inquietava buscando a verdade na filosofia. Num dia, em Éfeso, um ancião o convenceu de que a filosofia era insuficiente para chegar à doutrina da essência e da imortalidade da alma. Justino interessou-se pelo estudo dos Profetas do Antigo Testamento e, por eles, chegou ao cristianismo. Através da oração encontrou o caminho para Deus e para Jesus Cristo.

Tornou-se um mestre itinerante, andando por toda a parte até chegar a Roma, onde fundou uma escola. Justino expunha a fé cristã perto do palácio imperial, desafiando o próprio imperador para um confronto.

Escreve duas Apologias. Impressionante: São Justino dirige estes escritos de defesa do cristianismo ao imperador Antonino Pio e ao Senado romano. Não tem medo. Rejeita as acusações dirigidas aos cristãos e expõe a doutrina da religião cristã. Escreve também o Diálogo com Trifão, uma conversa de dois dias entre ele e um sábio judeu.

Justino lança uma ponte entre a filosofia antiga e o cristianismo com a teoria das “sementes da verdade”: cada ser humano possui em sua inteligência uma semente da Verdade, de modo que tudo na história é orientado para a chegada e a aceitação de Cristo, a verdadeira sabedoria. Justino pagou com o sangue sua busca da Verdade e a defesa da fé. O imperador condenou-o à morte.

O cristianismo penetra em todos os ambientes do Império e tem de enfrentar novos desafios além do direito de existir: a defesa frente ao ataque intelectual pagão e a garantia de sua unidade interna diante das heresias que começam a surgir. A mais poderosa delas era o gnosticismo, que queria reduzir a fé cristã a um conhecimento intelectual. As Apologias defendem a fé e surge a necessidade de elaborar uma teologia.

Pe. José Artulino Besen

PARA REFLETIR

1 - Além da perseguição, quais as outras dificuldades encontradas pela Igreja nos primeiros séculos?

2 - Quais as acusações que os intelectuais pagãos faziam aos cristãos e à Igreja?

3 - Qual a atuação do apologista São Justino?

Visite as outras páginas

[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO] [MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E. - Missio] [Noticias] [Seminários] [Animação] [Biblioteca] [Links]

Voltar