Jornal - "MISSÃO JOVEM"

História da Igreja

O Concílio Vaticano II nos mostrou que a Igreja préconciliar estava divorciada da civilização da sociedade contemporânea, caminhando por vias diversas, quando não opostas. Tentaremos explicar a gênese do fenômeno.

O ABSOLUTISMO
Centralização do Estado
e da Igreja no Rei

A partir do século XVII, até a Revolução Francesa (1789) e mesmo entrando no século XIX (a Restauração de 1814-1848), vigorou na Europa o regime político denominado “Absolutismo”.

Foi o ponto de chegada de um processo iniciado na Idade Média e que representou a derrota da nobreza pela monarquia e a afirmação do soberano (Rei) e do Estado nacional. Isso foi possível pelo cansaço das guerras de religião, pela riqueza provinda das novas descobertas e o apoio da burguesia.

O Absolutismo foi o regime da centralização: os soberanos passaram a concentrar todos os poderes, ficando os cidadãos excluídos de qualquer participação e controle na vida pública.

A base social do Absolutismo era o privilégio: honras, riquezas e poderes eram reservados a um pequeno grupo de pessoas. Eram:

  • privilégios sociais (acesso exclusivo a cargos, oficialato no exército, colégios, distinção nas vestes...);
  • privilégios jurídicos (direito de passar testamento, tribunais e penas especiais);
  • privilégios econômicos (isenções de impostos que recaíam sobre os pobres).

O mercantilismo foi a base da economia, subordinada à política, com forte taxação nas importações, busca de mercados e aumento do território através de guerras que empobreciam o país e os pobres, em contraste com a opulência nas cortes e palácios.

UMA SOCIEDADE OFICIALMENTE CRISTÃ

A Igreja e o Estado caminhavam num perfeito paralelismo: o político usa o sagrado e o sagrado usa o político. O proibido ou permitido na ordem religiosa o é também na civil. Daí a expressão que melhor define o sistema: a união Trono e Altar. Isso valia para os países católicos, a Prússia protestante, a Inglaterra anglicana e a Rússia ortodoxa.

Conseqüências:

1 - O Direito divino dos Reis: a autoridade do rei vem de Deus e a ninguém ele devia explicação de suas atitudes. Sua pessoa é sagrada.

2 - A unidade política se fundamentava na unidade religiosa: um Rei, uma Fé, uma Lei. Quem não seguia a religião do rei era privado dos direitos políticos (cargos públicos) e civis (liberdade de domicílio, de trânsito, de profissão, de propriedade).

3 - A Religião do Estado: nos países católicos, a religião católica era a única permitida. Era dever do rei defendê-la e promovê-la, impedindo o proselitismo, a difusão de livros contrários à religião e considerando os delitos contra a religião como delitos contra o Estado.Cumprir os deveres religiosos era pressuposto para o gozo de certos direitos civis.

Aos domingos era proibido manter abertos os botecos e divertir-se em público durante as funções religiosas. As transgressões eram punidas pelo braço secular. A própria autoridade eclesiástica: as Cúrias, os inquisidores, bispos e superiores religiosos, para proteger a moralidade pública, possuíam meios para castigar os culpados.

A censura eclesiástica à imprensa era sancionada pelo Estado, mas tendo um preço muito alto: o Estado censurava as próprias Cartas Pastorais dos Bispos e Documentos Pontifícios. A estrutura cristã tira assim a liberdade cristã.

4 - À Igreja era reconhecido o monopólio assistencial e da instrução: o Estado não se interessa pela instrução pública, que ficava nas mãos dos religiosos (jesuítas, barnabitas, beneditinos, irmãos das escolas cristãs...). As obras assistenciais também estavam nas mãos da Igreja, que possuía e recebia os meios para mantê-las, sendo este seu grande título de glória.

5 - As imunidades dos nobres são estendidas à Igreja e ao clero.

  • Imunidades reais: os bens eclesiásticos eram isentos de taxas e inalienáveis;
  • Imunidades locais: direito de asilo conferido às Igrejas e edifícios anexos;
  • Imunidades pessoais: isenção do serviço militar, direito de serem julgados por um tribunal eclesiástico. Era o foro eclesiástico.

Enquanto isso, sobretudo a partir dos século XVII-XVIII, o Estado começou a caminhar para a laicização da sociedade e para a subordinação da Igreja ao Estado. De fato, os privilégios distanciavam a Igreja do povo e, a uma Igreja que se afasta do povo, corresponde um povo que se afasta da Igreja.

UMA IGREJA CONTROLADA PELO ESTADO

O apoio do Estado foi acompanhado de um pesado controle deste sobre a Igreja e toda sua atividade, já que o rei julgava receber de Deus uma verdadeira missão eclesiástica. Príncipes, encorajados por escritores, viam na intervenção estatal o único meio eficaz para a renovação religiosa.

Competia, portanto, ao Estado: regular a administração dos bens eclesiásticos, a nomeação de bispos e párocos, a disciplina do clero e dos fiéis e, inclusive, o culto. Em poucas palavras, a Igreja era reduzida à sacristia. Esse sistema recebeu o nome de Jurisdicionalismo.

De todos os direitos-deveres do Estado, dois eram fundamentais e, por isso mesmo, mais prejudiciais à Igreja:

  • O Direito de Nomeação (atribuía ao soberano a nomeação dos bispos, abades e funcionários eclesiásticos). Na França, entre 1516-1905 (ano da separação), todos os bispos foram nomeados pelo Estado. Ao Papa cabia a instituição canônica;
  • O Direito de veto (o rei poderia excluir pessoas de determinadas funções. A aplicação mais clamorosa acontecia nos conclaves, com o uso do “veto” por parte das potências católicas, na eleição dos papas. O “veto” foi utilizado até 1903 quando Pio X proibiu, sob pena de excomunhão, qualquer tentativa de impedir a eleição de algum candidato ao Trono pontifício.

Uma das causas de, após Adriano VI (1522), somente italianos terem sido eleitos, foi, em grande parte, a rivalidade entre a Espanha, França e Áustria: o pavor que uma sentia em imaginar um Papa de nacionalidade que não a sua, fazia-o pender para a “solução italiana”. A tradição foi quebrada somente em 1978, com a eleição do polonês Karol Wojtylla.

QUE FAZIA A IGREJA PARA REMEDIAR ESTES MALES?

Primeiramente, procurava formar cristãmente os filhos da classe dirigente, através dos colégios.

Os colégios jesuítas conseguiram salvar boa parte da Alemanha do protestantismo, mas não venceram o anticlericalismo e o laicismo da Idade moderna, sempre mais presente entre as classes cultas.

m segundo lugar, tentava influir diretamente sobre os príncipes através dos confessores e conselheiros da corte.

Visite as outras páginas

[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO] [MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E. - Missio] [Noticias] [Seminários] [Animação] [Biblioteca] [Links]

Voltar