Jornal - "MISSÃO JOVEM"
História da Igreja
A Reforma na Inglaterra
Os Decretos parlamentares de 1343, de 1351 (Act of Provision) e 1553 (estatuto Praemunire) declaram ilegítimas as nomeações papais e vetaram, com castigos gravíssimos, a introdução de bulas papais, sentenças e reservas. Sob o rei Eduardo III, o Parlamento proibiu, de uma vez por todas, o pagamento do imposto cobrado pela Santa Sé. A Igreja inglesa estava unida à de Roma, mas numa independência quase que total. O PRECURSOR João Wiclif (1320-1384), sacerdote, estimado professor de teologia e filosofia em Oxford, não só aprovou as decisões de independência frente à Igreja romana, mas foi muito além: desejava uma verdadeira reforma. Afirmava que o poder temporal e as riquezas eram a ruína da Igreja. Melhor entregar tudo ao Estado e ser uma Igreja pobre. Por ocasião do grande cisma de 1378, negou a existência do Papado, da hierarquia, das ordens monásticas e da tradição, o culto dos santos, relíquias e imagens e as missas pelos defuntos. Admitia apenas os sacramentos do batismo e da eucaristia. Mas, tendo convocado os pobres a uma revolta contra os poderosos, perdeu o apoio oficial. Wiclif permaneceu no ofício de pároco até sua morte. Estavam lançadas as sementes da reforma de dois séculos depois! HENRIQUE VIII E A SEPARAÇÃO DAS IGREJAS Por ocasião da reforma luterana, o rei inglês Henrique VIII (1509-1547) confirmou sua fidelidade à doutrina católica, mas, o pedido de anulação de seu casamento com Catarina de Aragão, negado pelo Papa, levou-o definitivamente a formar uma Igreja nacional. Quando o papa Clemente VII negou a possibilidade de o rei casar-se com Ana Bolena, em 1531, numa assembléia geral do clero, Henrique VIII fez-se proclamar chefe da Igreja Anglicana, “nos limites da lei de Cristo”, isto é, sem negar a união com Roma. Sendo excomungado, em 3 de novembro de 1533, o Parlamento aprovou o Ato de Supremacia que atribuía ao soberano os mesmos direitos sobre a Igreja da Inglaterra de que gozava o Sumo Pontífice. Era a ruptura total com a Igreja universal. ENTRE A TRADIÇÃO CATÓLICA E A CALVINISTA Nesse panorama, deu-se início a reorganização da Igreja inglesa: negou-se o primado papal, aboliu-se a lei do celibato e dos votos monásticos. Na liturgia adotou-se a língua inglesa e, ao mesmo tempo, foram condenadas algumas doutrinas protestantes. A Igreja Anglicana conservou a sucessão apostólica do episcopado (em alguns países, como no Brasil e Estados Unidos, a Igreja é denominada Episcopal; em outros, como na Escócia, prevaleceu a tendência mais calvinista, abolindo-se o episcopado e conservando, como autoridade de governo eclesial, o presbiterato, donde o nome de Igreja Presbiteriana).
Em 1559, publicou-se a lei reconhecendo a rainha como “supremo governador da Igreja na Inglaterra”, e impunha-se ao clero e aos funcionários estatais um juramento de fidelidade. Todos os bispos, com exceção de um, rejeitaram o juramento e foram depostos. Para chefe da hierarquia anglicana foi escolhido Mateus Parker. REAÇÃO DO POVO São três as situações: • a maioria já estava acostumada com o distanciamento frente a Roma e estava firmemente apegada ao rei; • outros tinham tido conhecimento da reforma na Alemanha e desejavam, também para seu país, um retorno ao Evangelho; • e aqueles que decidiram permanecer fiéis à Igreja católica, aceitando a perseguição e o martírio. Entre esses, citamos São Tomás Morus, grande humanista e chanceler do Reino, o bispo São John Fischer, e uma centena de outros mártires. Os católicos ingleses, a partir da ruptura, passaram por contínuas perseguições e privações dos direitos civis. Para obterem um emprego público, era necessário um juramento negando a transubstanciação na Eucaristia, o Test Act. A emancipação dos católicos ingleses aconteceu somente em 1829. OS SACRAMENTOS E RITOS SACRAMENTAIS A Fé anglicana celebra, como verdadeiros Sacramentos, o Batismo e a Eucaristia, oficiados com as palavras infalíveis e os elementos usados por Cristo. A celebração da Santa Eucaristia é o centro do culto anglicano. Nela são recordadas a vida, a morte, a ressurreição e a ascensão de Cristo, através da proclamação da Palavra e da celebração do Sacramento. O culto anglicano reflete a história da própria Igreja anglicana, às vezes mais voltada para a tradição católica e, noutros, para a tradição evangélica. Como ritos sacramentais, celebra a Crisma, as Ordenações (episcopal, presbiteral e diaconal), a Reconciliação, o Matrimônio e a Extrema-Unção. A IGREJA ANGLICANA, UMA IGREJA DE ESTADO A Sede episcopal de Canterbury simboliza, para a Comunhão Anglicana, o mesmo que Roma para o Catolicismo. Seu arcebispo é o primaz primaz da Inglaterra e ponto de união da Comunhão Anglicana. Aquela Sede foi criada em 597 por Santo Agostinho, enviado pelo papa Gregório Magno para evangelizar a Grã-Bretanha.
No dia 27 de fevereiro de 2003, o bispo Rowan Douglas Williams, homem de grande espiritualidade, profundo filósofo e teólogo, admirador da mística católica, assumiu como 104.º arcebispo de Canterbury. É sua tarefa coordenar a Comunhão Anglicana. A COMUNHÃO ANGLICANA E O ECUMENISMO Foi pioneira no movimento ecumênico e, no mais puro espírito inglês, apresentou, para início do diálogo, alguns pontos – o mínimo necessário - que todas as Igrejas deveriam aceitar. É o Chicago-Lambeth Quadrilateral, aprovado na Conferência de Lambeth de 1888, que propõe como elementos essenciais de fé e de ordem na busca da unidade cristã: • As Sagradas Escrituras do Antigo e Novo Testamento, Palavra revelada de Deus; • O Credo Niceno como suficiente declaração da fé cristã; • Os dois sacramentos do Batismoe da Comunhão; • O Episcopado histórico. No diálogo ecumênico atual, a Comunhão Anglicana se divide entre aqueles que desejam a união com Roma e aqueles que a preferem com as Igrejas evangélicas. Pe. José Artulino Besen Para Refletir 1. Que fatos geraram o rompimento da Igreja Inglesa e
Romana? |
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