Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Espiritualidade

MADRE PAULINA:
O AMOR SE FEZ SERVIÇO

"Permanecei firmes e adiante. Nunca, jamais desanimeis, embora venham ventos contrários"

O Brasil, o país com o número maior de católicos, finalmente terá o reconhecimento de sua primeira santa no dia 19 de maio. Madre Paulina nasceu na Itália, Vígolo Vattaro, no dia 16/12/1865! E filha de Napoleone Visintainer e Ana Pianezzer. Paolina foi batizada com o nome de Amábile Lúcia e, aos 8 anos, já era operária de uma fábrica de seda em Trento, onde escolhia os casulos para a industria.

Amábile, desde pequenina, foi tocada por Deus e, em toda sua vida, procurou viver o grande mandamento do amor. Paulina viveu a solidariedade desde a infância quando, na fábrica, repartia seu lanche com uma coleguinha ainda mais pobre e, ao chegar em casa, cuidava da avó enferma. Estas atitudes são muito significativas quando se operam numa criança que, por natureza, tem geralmente uma postura egoísta.

Muitos italianos, devido à pobreza que havia naquele tempo na Itália, vieram para o Brasil, aderindo a projetos nacionais de colonização. Os Visintainer decidiram também emigrar para o Brasil, onde chegaram em 1875, e se estabeleceram na vila de Vígolo, município de Nova Trento. Amábile tinha 9, anos e aqui desenvolveu sua obra até a morte, que aconteceu em 1942.

Aos 13 anos, por ocasião de sua primeira comunhão, dissera: "Quero ser toda de Jesus". Na juventude seu sonho de consagrar-se a Deus foi temporariamente ofuscado com a morte de sua mãe. Amábile teve de assumir a casa e cuidar dos irmãos.

A semente da vocação se rompe através de um sonho em que Nossa Senhora de Lourdes lhe faz um pedido:

- É meu ardente desejo que comeces uma obra...;

Amábile questiona a Virgem:

- Mas como fazer, minha mãe? Sem meios, tão miserável?

Nossa Senhora novamente lhe pergunta:

- Que decidiste, Filha?

Amábile, com muita coragem e humildade, lhe responde:

- Servir-vos, minha querida Mãe! Mas sou uma pobre criatura... prometo esforçarme quanto puder.

A Virgem Imaculada encerra dizendo:

- Dar-te-ei alguém que possa te auxiliar. Mais tarde mostrar-te-ei as Filhas que te quero confiar.

Aqui se confirma a vontade de Deus a seu respeito.

Os fatos são indicadores e levam à busca da realização das metas. Certo dia chega a Nova Trento uma senhora doente de câncer e necessitando de ajuda. Amábile e sua amiga Virgínia são as indicadas pela comunidade a se ocuparem da doente. Para isso foi-lhes dado um casebre e um ministério.

Amábile e Virginia acolhem e tratam a enferma com todo o carinho. Nesse contexto e a partir desse gesto de amor tem início, em 12 de julho de 1890, a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição. Mas nem tudo foram alegrias e realizações na vida de Paulina. Como Jesus, ela experimentou vida, morte e ressurreição.

O EXÍLIO - "Se o grão de trigo não morre ..."

Madre Paulina, em plena vitalidade física e no momento de grande expansão da obra por ela fundada, experimentou o Getsêmani do exílio.

Por falta de compreensão, foi deposta do cargo de superiora geral da Congregação, vivendo um exílio de 9 anos em Bragança Paulista. Escolhendo a humildade e a simplicidade, viveu na vida o que sugere seu nome: Paulina do Coração Agonizante de Jesus, mas como tinha certeza que era apenas instrumento da obra de Deus, costumava dizer: "quero ser a última de todas, contanto que a Congregação vá adiante".

Expressões como esta só podiam vir de uma convicção verdadeira de quem realmente sabia ter recebido de Deus uma missão. Paulina sentia tão forte nela a presença de Deus que não hesitava em dizer: "A presença de Deus me é tão intima que me parece impossível perdê-la".

As Irmãzinhas que a conheceram relatam que ela passava muitas horas na Capela diante do Santíssimo, em profunda comunhão com Deus.

Madre Paulina, mulher cheia de entusiasmo pela evangelização, carregava em seu coração um espírito missionário universal, sem fronteiras. É indicativa a expressão que a santa usava: "Iremos às Índias e até o Alasca".

Indicava assim a extensão que a obra de sua família religiosa devia abranger para encarnar e realizar em sua totalidade a prática e a vontade de Cristo.

Como o apóstolo Paulo ela dizia "Ide adiante! Que Jesus seja conhecido, amado e adorado por todos e em todo o mundo"

CARISMA - "Sensibilidade para perceber e disponibilidade para servir, especialmente aos irmãos mais necessitados". Essa frase resume o legado de Madre Paulina.

As Irmãzinhas devem estar atentas e sensíveis às necessidades atuais da Igreja. Se no passado os marginalizados eram os idosos, os ex-escravos e as órfãs, hoje são os menores abandonados, as crianças desnutridas, os portadores de HIV, os moradores de rua, os doentes sem esperança, os sem-teto, sem-terra, os injustiçados, sem razão para crer e esperar.

O apelo do Evangelho continua nos becos da vida. Onde a vida for ameaçada, suas filhas deviam ser os olhos e o coração de Deus, para protegê-la, defendê-la e promovê-la.

Todos os valores evangélicos vividos por Me. Paulina, e hoje perseguidos por suas seguidoras, servem de sinais de esperança para a nossa sociedade. Qualquer pessoa pode viver o evangelho do jeito de Paulina.

Imaginemos Santa Paulina entre nós. Que mensagem de ânimo daria às crianças, aos jovens, às famílias, aos idosos, às lideranças, às autoridades?

Acompanhemos:

· Queridas crianças, vocês são as belas flores que o Deus da Vida usa para embelezar o grande canteiro da humanidade. Por isso, fazei tudo por Jesus e com Jesus, reconhecendo no próximo a pessoa de Jesus.

· Queridos jovens, vocês possuem vigor juvenil e muitos dons para serem colocados a serviço dos irmãos. Não tenham medo! A vida é para ser doada, por isso nunca, jamais desanimeis embora venham ventos contrários.

· Prezadas famílias, vocês são a extensão da mão de Deus, capaz de fazer os seres humanos conhecerem o que é o amor. É no seio da família que o amor se faz vida. Portanto, não se acovardem diante das incertezas, dúvidas. Resgatem a essência da sua comunhão e partilha e permaneçam firmes. Nosso Senhor não deixará de lhes ajudar.

· Amados idosos/as, vocês possuem a fonte da sabedoria, colhida a partir da experiência da vida. Continuai a ensinar aquilo que sabeis e podeis, tendo presente que é sempre bom aquilo que Deus quer.

· Lideres das comunidades, que assumem os mais variados ministérios e pastorais, entendam que quanto mais se doam, tanto mais se tornam parecidos com Deus. Busquem o cultivo da espiritualidade e se alicerçar no amor de Jesus.


· Autoridades Eclesiais e Civis, que receberam a grande missão de governar, que o poder exercido por vocês seja serviço. Iluminados por Deus, busquem construir a paz na prática da justiça.

· Caríssimos irmãos e irmãs, a todos vós, reforço as palavras contidas no meu testamento:

Sede bem humildes; é Nosso Senhor quem faz tudo; nós somos seus simples instrumentos. Confiai sempre e muito na Divina Providência; nunca, jamais desanimeis, embora venham ventos contrários. Novamente vos digo: confiai em Deus e em Maria Imaculada; permanecei firmes e adiante! Recomendo-vos muito e muito a santa caridade entre vós... Tende grande amor à pratica da santa caridade. Está terminada minha missão; morro contente e dou, de todo coração, a vós todos a minha bênção.

Madre Paulina, durante toda a sua vida, serviu sem medidas. Foi no serviço aos mais necessitados que ela expressou sua experiência de Deus. Legou este espírito à Congregação que impulsionada por ele, busca ser fiel, crescendo no serviço junto aos irmãos.

O espírito itinerante e missionário é tão forte em Me. Paulina que já no início da Congregação expressou seu desejo, como veremos neste fato:
"Nos idos de 1898, Madre Paulina acolhia órfãzinhas sob os seus cuidados. As bocas na mesa eram numerosas e os mantimentos escassos, o que a obrigou a adquirir uma colônia de terras para o cultivo.

Me. Paulina, como legitima agricultora, e suas companheiras, levantavam-se de madrugada, dedicando o novo dia à oração. Ao clarear o dia, saiam para a roça com as oito meninas. Lá pelas oito horas era levada uma refeição às trabalhadoras.

Ir. Fulgência, que faleceu com mais de 90 anos de idade, recordou esses fatos e nos dizia que Me. Paulina, vendo as pequerruchas comer com grande apetite o pirão branco com chá, corriam-lhe as lágrimas pela face e dizia: - Conta-me o coração o não poder dar-lhes coisa melhor para comer. Ajudem-nos no trabalho para poder pagar as dividas e quando vocês forem Irmãzinhas, enviá-las-ei às Índias e até o Alasca".

As Irmãzinhas, imbuídas deste espírito missionário, hoje estão presentes nos mais diversos campos de atuação (educação, saúde, promoção social, pastoral, associações, etc.) e estão espalhadas em 14 estados do Brasil.

A Congregação, em 1978, começou sua expansão para outros países, a começar pela Itália e, mais tarde, na Argentina, Nicarágua, Tchad, Moçambique, Camarões, Colômbia, Bolívia, Chile e Guatemala.

À luz da canonização de Madre Paulina, este momento que marca a história da Congregação e da Igreja, reanimam-se as esperanças e as forças na missão de evangelizar.

"Temos certeza que testemunhamos junto ao povo a convicção de que Deus nos ama e nos trata com carinho. Santa Paulina, sem duvida, continuará cuidando e zelando pelo seu povo mais necessitado.

Irmãs: Ana E. Garcia e Liamar M. de Souza - Misiones - Argentina.

"Nosso sonho é que outras religiosas ou cristãos leigos possam dar continuidade a este processo de evangelização. Que a solidariedade entre os países seja de tal forma significativa que consigamos erradicar a Malária , que diminui o tempo e a qualidade de vida das pessoas"

Irmãs: Denide A. Coelho e Antonia A. de Oliveira -Moçambique.

O jeito de viver de Me. Paulina não permaneceu somente com a Congregação. Desde o início e ao longo da história, ela contou com a participação dos leigos. O carisma de Paulina se expandiu no meio dos leigos que, a partir de 1991, se organizaram em grupos com o interesse de viver os ideais dela, assumindo o seu ser cristão e a missão de Jesus Cristo. Surge assim a FAMAPA (Família Madre Paulina), que já está presente no Brasil, Argentina, Chile, Nicarágua, Paraguai, Itália..., e é formada por adultos, jovens e crianças.

Como leigos, vivem o profetismo através de gestos concretos de sensibilidade e disponibilidade para servir aos mais injustiçados e excluídos. Cada grupo tem sua história, procura desenvolver um trabalho feito de iniciativas e atividades solidárias.

A alegria de ver Madre Paulina sendo proclamada santa pela Igreja, implica na responsabilidade cristã e evangélica de suas seguidoras em atualizar o carisma deixado por ela, buscando ser fiéis ao projeto de Jesus Cristo e inserido-se num mundo carente de valores e principios.

A fidelidade ao projeto de Deus em comunhão com a Igreja, e a sensibilidade para ver e atender os clamores do povo sofrido, são virtudes imprescindíveis na construção do Reino, vividas por Santa Paulina.

Irmãs: Maria Cristofolini, Egnalda Rocha Pereira e Maria Andrea da Silva Bittencourt.

Visite as outras páginas

[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO] [MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E. - Missio] [Noticias] [Seminários] [Animação] [Biblioteca] [Links]

Voltar