Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Crianças

comemoração do Dia das Crianças faz pensar no hoje, mas aponta para o futuro, como já se expressou Ziraldo Alves Pinto: “Temos que preparar a criança para hoje porque o futuro é feito de muitos hojes”. Mãos à obra e boa apresentação amigos.

Entra um adolescente anunciando uma manchete do jornal.

Jornaleiro: Extra! Extra! Descobriram a solução para uma sociedade mais justa e pacífica! Extra!

Entram pessoas andando de um lado para o outro, comentando em voz alta a novidade. Cria-se um pandemônio. Após algum tempo entra uma criança e se fixa no centro do palco. As pessoas ficam a admirá-la (congeladas) enquanto ouvem a narração:

Voz adulta: Por longas décadas buscamos soluções para que a humanidade pudesse viver em paz e na igualdade. Não faltaram teses de antropólogos, sociólogos, ecônomos, políticos, religiosos... Enquanto isso havia alguém presenciando tudo sem nada falar, muitas vezes com fome, abandonado, com frio, violentado... No entanto, esse espectador era a solução. A esperança ressurgiu ao descobrirmos que só a criança feliz e saudável de hoje será o homem e a mulher do futuro que sonhamos.

As pessoas, ao saírem do palco, falam com otimismo como se tudo estivesse resolvido.

Pessoa 1: Agora sim podemos planejar nossas vidas e a vida de nossa sociedade. Temos a chave do sucesso!

Pessoa 2: Cuidar, promover mais as crianças! Eis a solução!

Pessoa 3: Vamos lá autoridades, educadores, sacerdotes... Criemos condições para que as crianças sejam saudáveis, tenham lazer, educação e muito amor!

Pessoa 4: Será o começo daquela sociedade que tanto sonhamos! Viva as crianças! (todos gritam “Viva!”).

Fica somente a criança no palco. Coloca-se a música “Menores Abandonados”. A criança olha para a platéia a espera de ajuda. Entra um apresentador de TV com microfone.

Apresentador: Caros telespectadores, hoje em nosso programa estamos trazendo até vocês uma entrevista exclusiva com a “Solução para a nossa sociedade”. “Solução”, qual é seu verdadeiro nome?

Criança: Eu me chamo Criança.

Apresentador: Mas “Criança” do quê?

Criança: Criança do Hoje.

Apresentador: É um nome bonito, vocês não acham? Mas como você se sente sendo a peça mais importante da nossa sociedade? A “Solução” para os nossos problemas?

Antes que a criança responda, alguém grita dos bastidores “Tá caindo o IBOPE!”. E o apresentador se reorganiza.

Apresentador: Você aguarda aqui “Solução”... (vira-se para a platéia) Pois vamos agora com nossa equipe até a rebelião que está acontecendo no presídio... (sai de cena falando).

Aumenta a música até que entra o político. Fala com a criança olhando para a platéia.

Político: Minha cara “Solução para a sociedade”. É de tempos idos que a buscávamos, mas não sabíamos onde. Hoje sabemos que precisamos investir mais em vossa pessoa. E digo ainda mais: devemos, para isso, unir nossas forças... (toca o celular) Um momento por favor “Solução”. (atende) Alô? Sim...

Voz do telefone: Sr. Osnivaldino, precisamos de sua força junto à bancada para aprovarmos o projeto que vai dar um teto salarial mais digno à nossa categoria.

Político: É claro, você tem razão. Precisamos estar unidos num momento tão importante para a nação. Estou indo. (desliga e em tom de discurso) Minha cara “Solução”, começe a agir com toda a bravura e força que lhe é natural. Peço desculpas por não poder ficar: o dever me chama.

Sai. Sobe a música. Entra um professor(a) com livros nas mãos.

Professor: “Solução”, aqui estão os livros que irão ajudar-lhe. Concentre-se no seu futuro. O que achas?

Criança: Estou com fome!

Professor: Tudo bem, mas com relação aos estudos?

Criança: Entendo, mas não consigo pensar em outra coisa!

Professor: Assim não dá! Eu não tenho que ficar aturando tudo isso com o mísero salário que ganho. (tira o avental) Eu vou é cuidar da minha vida! (vai saindo) Até como gari eu ganho mais!

Sobe o som que estava tocando e se mixa com uma música estilo rap. Depois de algum tempo, entra um traficante cheio de ginga.

Traficante: E daí “broder”! (abaixa-se até a altura da criança) “Qualé mano”, por que tanta tristeza?

Criança: Eu estou com medo, com fome. Ninguém me ajuda. Estou abandonado!

Traficante: “Cumé teu nomi cumpadi?”

Criança: Eles me chamam de “Solução”.

Traficante: “Olha só maninho, daqui pra frente tu vai tê tudo que tu qué, tá ligado. Tu vai come, vai tê o teu trocado e vai ajudá tua família e nóis vamo te proteje”.

Criança: É verdade?
Traficante: “Olha aqui tampinha. Quando a gente promete a gente cumpre, tá ligado? E daqui pra frente eu vou te chamar de “Violado”, tá entendendo. Tu vai trabalhá pra mim, vai sê o meu laranja”.

Criança: Eu quero!

Traficante: “Intão levanta aí Violado. Vamo lá, se anima mano, tu vai ganha muita grana”.

Ele sai com a criança. Inicia-se uma oração com fundo musical.

Voz infantil: Senhor, não sei como se deve rezar. Tudo que te peço, ó Deus, é que me escutes, pois ninguém me escuta, ninguém conhece a minha dor. Falam de mim, falam da minha importância, mas quando são obrigados a deixarem seus interesses para me ajudar, entregam-me nas mãos de outros. Senhor, escuta minhas lágrimas. Não deixe que, por falta de oportunidades, também eu me torne um pesadelo para a sociedade. Não permita que as pessoas lembrem de mim somente no dia 12 de outubro, mas que me levem a sério para que eu possa levar a sério o mundo que me espera.

Volta ao palco o traficante e a criança. O traficante, sem a ginga anterior, declama o seu texto enquanto tira alguns acessórios que o caracterizavam.

Traficante: Permitam-me dizer que, se é verdade que as crianças são a coisa melhor e mais querida do mundo, também é verdade que são as criaturas mais vulneráveis de nossa sociedade. Infelizmente, os direitos da criança, embora reconhecidos, não passam de um conjunto de boas intenções. E se as crianças são a solução para a construção de um mundo melhor, é urgente que cuidemos delas antes que outros as adotem para uma vida sem valores.

Criança: Se vocês me ajudarem a ser uma criança legal, tenham certeza, quando eu crescer, serei também um adulto muito legal!

Entra um grupinho de crianças e adolescentes, com alguém tocando violão, cantando a música “Criança Feliz” ou o hino da Infância Missionária “Eu também sou missionário em ação...”O público pode ser convidado a cantar também.

Dicas

•Nesta peça precisamos de uma criança que seja expressiva e clara na hora de falar.

•A música “Menores Abandonados” se encontra no CD “Os melhores momentos do Padre Zezinho”, da Paulinas. Para adquiri-lo use o telefone 0800 7010081.

• Quando a cena exige só a voz, é interessante que o locutor fique escondido e use um microfone.

Boa Sorte!

Etori Caldeira de Amorim
etori@missaojovem.com.br

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