Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Celebração
“Publicar uma edição do Missão Jovem sem teatros ou celebrações só se for por uma razão muito séria!”. Esta afirmação do Pe. Paulo, diretor do MJ, no momento em que elaboráva-mos a pauta da edição de Dezembro/03 evidenciou a importância que tem a página dois para o Jornal Missão Jovem, que chega mensalmente a quase 40 mil pessoas em todo o Brasil e no exterior. Mas não poderíamos perder a chance de pararmos, pelo menos numa edição, para respon-dermos os diversos e muitos pedidos de ajuda que nos chegaram por carta ou e-mail. Consideramos uma responsabilidade nossa criar novas peças teatrais, incentivando e apoiando os grupos que usam o teatro para motivar os momentos fortes de suas comunidades. Com estas justificativas, aprovou-se a pauta e está aqui a página dois, para os que estão interessados em formar um grupo de teatro em sua comunidade ou que estão buscando motivações para seu grupo. HISTÓRIA DO TEATRO Pode-se afirmar que as primeiras representações aconteceram já na idade da pedra, pois o caçador, ao voltar do trabalho, como ainda hoje, tinha interesse em contar suas aventuras para os amigos, e como ainda não haviam desenvolvido a linguagem, encenavam os fatos ocorridos. Porém, para ser mais científico, a peça mais antiga que se conhece é um drama religioso egípcio escrito em 3200 a.C., que relata a história do assassinato do deus Osíris por seu irmão Seth. O texto dessa peça, escrito num papiro, foi descoberto por arqueólogos em Luxor, no ano de 1895. Contudo, os espetáculos teatrais surgiram sobretudo na Grécia. Lá o teatro floresceu graças à genialidade dos seus dramaturgos que contavam histórias de seus mitos, representadas em espaços parecidos com os teatros de hoje. As máscaras que simbolizam o teatro vêm daquela época, pois as mulheres gregas, por não serem consideradas cidadãs, não podiam encenar e o homem tinha que fazer os dois papéis. Já na Idade média surgem os famosos Saltimbancos,
aquelas companhias que iam de cidade em cidade apresentando suas peças.
Eles nos lembram os poucos circos que ainda hoje existem. TEATRO POPULAR O teatro sempre teve grande aceitação popular e isso é comprovado pelas inúmeras iniciativas realizadas dentro da pastoral de uma paróquia. Encenações em dia de primeira comunhão, festas religiosas, festa do padroeiro e, acima de tudo, o Natal e a Paixão e Morte de Jesus Cristo. Estão envolvidos Grupos de Jovens, Catequese, Infância Missionária, enfim, toda a comunidade acaba participando de forma direta ou indireta com a preparação. Com um solo tão fértil, temos a possibilidade de transmitir a mensagem do Evangelho através do fascinante jogo da imaginação que uma peça pode proporcionar, pois o texto encenado deve ser provocador de reflexões e iniciativas. Porém, a improvisação muitas vezes não consegue suprir às necessidades reais da pastoral e às expectativas dos organizadores. Para isso é necessária uma boa dose de formação. Mas antes vejamos como formar um grupo de teatro. O GRUPO DE TEATRO
O grupo não precisa ser grande, pois isso dificulta os encontros periódicos, necessários para a escolha das peças entre outras atividades. Quando houver necessidade de mais participantes, convide outras pessoas mais próximas. Também busquem criar uma fraternidade entre os membros. As apresentações têm melhor resultado quando há afinidade entre os atores. Muitos grupos que se unem para encenar textos e peças em suas comunidades ou escolas, cometem um erro gravíssimo, porém natural: a busca da FAMA. Embora seja uma carência humana, o grupo que assume o teatro comunitário como meio de evangelização não pode incorrer no erro de priorizar grandes “espetáculos”. “É preciso que ele cresça e eu diminua” (Jo 3,30). FORMAÇÃO Continuando o assunto do tópico anterior, a falta de formação pode ser a maior causa das frustradas apresentações. No fim chega-se a conclusão de que o texto era bom, a platéia estava atenta e o ambiente (palco) propício. Então, o que faltou? É fácil responder: faltou “formação” para o grupo. É indispensável que um grupo teatral tenha pelo menos um encontro mensal de estudo. E os temas para o aprofundamento não se limitem à arte cênica, mas perpassem a liturgia, a psicologia (emoções), a teologia, a estética... Enfim, o ator não se preocupa apenas com seu texto, mas com a emoção da platéia e o ambiente, entre outros fatores responsáveis pelo êxito da apresentação. Procurem a ajuda dos párocos, professores, profissionais da arte cênica e não deixem de estar sempre lendo crônicas e obras que incentivem a imaginação teatral. SUBSÍDIOS Há uma carência grande quanto a subsídios. Primeiro, porque muitos grupos não têm uma pessoa que se disponha para escrever suas peças. Outra, porque os textos existentes precisam de uma adaptação para o teatro comunitário. Neste caso, caímos na primeira dificuldade. A Equipe do Missão Jovem, consciente desta necessidade, há quase duas décadas, vem publicando celebrações, teatros e encenações que acompanham e ajudam grupos que surgiram também com a ajuda desses subsídios. Contudo, nos últimos anos, o interesse por esse tipo de conteúdo tem aumentado e, por isso, o MJ tem a satisfação de comunicar que, para o Natal, estará lançando mais um livro: Teatros Educativos: cinqüênta dramatizações sobre temas e datas importantes do ano. As peças motivam a comunidade a uma reflexão séria sobre os conteúdos representados.
Feliz Natal para todos e que 2004 nos encontre mais entusiastas no serviço do Reino. Etori Caldeira de Amorim |
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