Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Celebração

DA ADMIRAÇÃO...

A missa começou como sempre, mas, depois do Glória, surge um rebuliço na capela: uma turminha de jovens vai para a frente e, dentro de instantes, formam uma pirâmide viva. O pessoal mais forte está na base e sustenta três jovens mais leves que estão em pé sobre seus ombros.

A pirâmide permanece imóvel, todo mundo de cara feia e fechada, sem dizer uma só palavra. A comunidade já começa a comentar baixinho: “Que coisa mais esquisita!”. Mas, de repente, vem uma outra turma, em fila indiana, pisando forte como se quisessem fazer a pirâmide tremer. Só que a pirâmide nem liga... A fila vira círculo, encurrala a pirâmide e as pisadas ficam mais fortes.

Surgem palavras de ordem: “Justiça!”, “Eu quero justiça!”. Um rapaz negro sai do círculo, apanha um tambor, volta para o seu lugar, dá fortes batidas e grita: “Os negros querem justiça!”. E o círculo reforça o grito, todos pisando forte e juntando a voz. Com o tempo, o pessoal na base da pirâmide começa a vacilar e a construção toda acaba desmoronando. Seus componentes saem cabisbaixo para um lado, os componentes do círculo para outro, de cabeça erguida.

... À COMPREENSÃO!

Claro que a comunidade bate palmas, impressionada com a cena. E aí vem pra frente um dos coordenadores do grupo, com a Bíblia na mão: “Evangelho segundo Lucas, capítulo 18: ‘Numa cidade havia um juiz que não respeitava ninguém...

Havia também uma viúva que pediu: ‘Faça-me justiça contra meu adversário!’”. Terminada a leitura, o rapaz convida as pessoas para um pequeno cochicho e para uns poucos comentários em voz alta, sobre o que sentiram, do que se lembraram, o que pensaram ao assistir à cena e depois escutar aquele evangelho. Foi mais difícil pedir que a comunidade terminasse o cochicho e os comentários, do que derrubar a pirâmide!

E durante toda a semana os comentários continuaram, as pessoas falando muito mais de seus problemas e estratégias de conseguir justiça, do que simplesmente da peça que assistiram. É assim que deve ser quando é “Teatro Bíblia” de verdade.

TEATRO BÍBLIA E BIBLIODRAMA

De onde veio esta “peça”, seu roteiro, seus recursos cênicos? Foi criada pelo próprio grupo de jovens, a partir de duas ou três tardes de experiência de “bibliodrama”! Mas o que é “bibliodrama”? É um método que nos ajuda a vivenciar a Palavra de Deus a partir do nosso corpo, de nossa história, de nossas experiências e expressões.

Ganhou este nome porque trabalha principalmente com a dramatização a partir de detalhes do texto bíblico que tocaram as pessoas envolvidas na experiência. Mas abrange uma grande variedade de técnicas e dinâmicas criativas que ajudam a gente a fazer experiências pessoais com a Palavra de Deus e a expressar, partilhar e refleti-las.

OS TRÊS MOMENTOS DO BIBLIODRAMA

Não é fácil dar ao nosso corpo o direito de se expressar espontaneamente, dar aos nossos sentimentos o direito de se manifestarem com liberdade. Nossa educação, as normas da sociedade e da Igreja são muito restritivas acerca de tudo que diz respeito a este aspecto da pessoa humana. Por isso, uma experiência de bibliodrama pede um clima bom, de confiança, de respeito e de liberdade, um ambiente que ajuda as pessoas a se abrirem.

1. Nesta primeira fase, pede sobretudo, exercícios para sentir o corpo, para libertar e aguçar nossa sensibilidade de percepção e de expressão. Estes exercícios nos preparam para o momento central do bibliodrama, após a escuta do texto escolhido: o momento da livre e espontânea expressão através de palavras bíblicas destacadas, desenhos, gestos, pequenas cenas, trabalho com panos coloridos, com argila e muito mais. Aqui, cada pessoa tem sua palavra, seu gesto – sua voz e vez, que ninguém vai discutir ou descartar.

2. Depois desta fase de expressão individual formam-se grupinhos que integram estas expressões numa apresentação grupal. Uma apresentação no “colo” da turma toda que está participando da experiência.

3. O terceiro momento, de igual importância, é a partilha e reflexão das expressões e dos sentimentos que surgiram: é o momento que nos permite perceber de modo mais racional o que se manifestou espontaneamente, de refleti-lo em nível mais amplo e de tentar integrar tudo isto na nossa consciência e atitude de vida, para realizá-lo na nossa prática cotidiana.

DO BIBLIODRAMA PARA O TEATRO BÍBLIA

Quando um grupo chegou até este ponto, já realizou um belo bibliodrama, sem que as dramatizações precisassem sair do âmbito da turma que participou dele. Mas, se esta turma quiser partilhar alguma experiência com pessoas “de fora”, com um “público”, começa outro processo: a criação de uma peça de “Teatro Bíblia”. E aqui é indispensável o procedimento ao qual se renunciou durante o processo pessoal do bibliodrama: discutir e descartar, priorizar e definir palavras, gestos, personagens, cenas, tudo isso em vista do público.

O desafio, agora, é comunicar algo da experiência feita dentro do grupo para pessoas fora dele, com o objetivo que o “Teatro Bíblia” partilha com cada teatro de verdade: estimular a reflexão própria das pessoas que assistem, oferecer algo que as tire da passividade de meros expectadores e as transforme em “atores”, não no palco do teatro, mas no palco da vida real. A definição dos detalhes e o ensaio da peça do Teatro Bíblia obedecem a todas as boas regras da preparação de uma peça de teatro.

E a apresentação obedece a todas as boas regras da comunicação no âmbito da educação popular: nunca é de mão única, sempre desemboca na partilha e no diálogo com o público. Assim, o Bibliodrama é uma das muitas maneiras de fazer o que pediu Jesus: engajar-se para que muitas pessoas possam encontrar a vida, e a vida em abundância.

REFLITA

1. O que é, então, Bibliodrama?

2. Quais os passos a seguir para chegarmos ao Teatro Bíblico?

3. Como podemos levar o Bibliodrama às nossas comunidades, grupos, etc...?

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