Irmão por todos

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Meu nome é Alessandro Albani. Nasci e fui criado em Carugate, próximo de Milão. Mãe Silvana, o pai Giuseppe e um irmão mais velho, Daniele: eis a família.

Eu frequentava o oratório da paróquia desde os seis anos de idade. Na adolescência, o que mais gostava era do oratório nas férias. Só que, ao voltar para casa, à noite, a melancolia caía em mim, porque o dia havia terminado. O pároco insistia sempre para que nós, animadores, trocássemos uma semana de férias no oratório por um trabalho voluntário com as crianças portadoras de deficiência da Fundação Don Gnocchi. Eu não gostava do convite, primeiro porque renunciar a uma semana de férias era um desperdício; e, segundo – a verdadeira razão – porque conviver com gente com deficiência não me deixava à vontade. Eu não saberia como me portar diante delas. Mas, no último ano como animador, o vigário chegou a mim, perguntando: “Alê, por que você nunca foi a Don Gnocchi? Acredito que lhe faria bem”. Não consegui dizer não a essa provocação direta. Pensei: “Fico lá um dia. Depois, decido se continuo ou caio fora”. Fui. Logo descobri que meus “grilos” não tinham cabimento. Aqueles desventurados, antes de serem deficientes, são pessoas. No fim da experiência perguntei à responsável pelo centro sobre que curso frequentar para trabalhar em uma estrutura semelhante. Após alguns conselhos, optei pelo curso de neuro-psicomotricidade.

Durante a universidade, continuei no oratório. Até me tornei catequista. Em 2014, o novo pároco propôs aos jovens do oratório uma viagem missionária, junto a um padre do PIME originário de Carugate e destinado ao norte da Tailândia. Participei da viagem, ainda um tanto ressabiado sobre o mundo missionário. Na Tailândia, dei-me conta de que os missionários, homens e mulheres, padres e leigos, eram pessoas comuns, como eu, com valores e defeitos.

Um ano depois da viagem me formei e fui contratado pelo centro Don Gnocchi, onde havia feito o voluntariado. Falei sobre meus sonhos missionários ao confessor e então começamos a procurar um caminho para as minhas expectativas. Ele me pôs em contato com o diretor espiritual do seminário do PIME em Monza. Cheguei e fui logo explicando que, apesar do apelo missionário, eu não gostaria de deixar de trabalhar com pessoas deficientes.

Foi quando conheci a figura do “irmão”:      o missionário leigo por toda a vida. Alguém que evangeliza sem discursar, mas através de seu estilo de vida. Era o que eu procurava, permitindo-me conjugar duas vocações: ser missionário e estar com as crianças com deficiência.

Em setembro de 2017, terminado o período de discernimento, decidi me tornar um missionário leigo para a vida toda. E para isso estou me preparando.

Sou grato a Deus pelas coincidências da vida que me levaram a estar onde estou hoje: uma comunidade internacional que já me faz respirar um pouco do ar missionário.

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