Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Primera Página

"VIDA SIM, DROGAS NÃO"

O drama do abuso das drogas deve ser compreendido antes de tudo como uma enfermidade da vida e da sociedade. É a dura realidade de uma sociedade rica em meios e pobre em vida.

É o sintoma crônico da enfermidade social e existencial do tempo em que vivemos diante da perda do sentido e do significado da vida humana. Sempre que o coração humano e a própria sociedade adoeceram em seus valores, o abuso das drogas se fez presente através dos tempos, transformando-se, hoje, numa verdadeira tragédia diante da variedade das drogas produzidas e da facilidade de fazê-las chegar em todas as partes.

O RELATIVO EM DESTAQUE

Vivemos numa sociedade que absolutizou o relativo e relativizou o absoluto, que acentua o ter, o prazer e o possuir em detrimento do ser, do existir e do ético, que evoluiu muito para fora, mas que perdeu as chaves e o segredo da interioridade. Vivemos na era assim chamada dos meios de comunicação, mas que, na verdade, gerou a era da solidão.

Esta acentuação demasiada dos valores do relativo, sem o cultivo dos valores do absoluto, produziu a enfermidade da existência. Debilitados pela ausência e cultivo dos verdadeiros valores do humano e do espiritual, nos tornamos frágeis diante da ilusão da realidade das drogas.

BUSCAR AS CAUSAS

Portanto, falarmos em problemática das drogas, é buscarmos uma visão que vá além dos sintomas do uso indevido das drogas em si, e de suas conseqüências. Somos convidados a buscar as causas mais profundas da enfermidade das drogas, que são muitas, mas uma é central, a perda do valor, do significado e do sentido do existir humano.

Quando tiramos, do centro da vida, os valores do absoluto, fazemos, do relativo, um valor absoluto. Aliás, desde Adão e Eva o distanciamento dos verdadeiros valores da vida sempre foi a causa principal da enfermidade do coração humano, gerando a asfixia na convivência familiar, fraterna e social, debilitando o apreço à vida a nível pessoal, familiar, social e mesmo econômico.

UMA NOVA CONSCIÊNCIA DE VIDA

Hoje, diante da gravidade da problemática do abuso das drogas, já existe um consenso universal, entre os especialistas, ao admitirem que a enfermidade das drogas é uma doença onde não basta apenas a presença de alguns profissionais para combatê-la, mas se faz necessário uma nova consciência de vida, onde todas as forças vivas da sociedade: família, escolas, sociedade, igrejas, governos e, acima de tudo, a crença num poder superior, devem se fazer presentes.

Dr. Olivestein, dono da clínica de Marmotann em Paris, uma entre as melhores clínicas do mundo no tratamento de desintoxicação, recuperação e orientação dos dependentes químicos de drogas, após anos de trabalho, diz: “Devo confessar, que aqueles que, com mais facilidade deixaram o mundo das drogas e conseguiram se manter na abstinência, todos eles recuperam a auto-estima e possuem uma crença num ser superior”. Esta mesma certeza é condividida por vários cientistas do mundo e, acima de tudo, é uma experiência constatável nos grupos de alcoólatras anônimos e comunidades terapêuticas.

AGIR JUNTOS

Diante da problemática das drogas, hoje é um consenso que devemos agir juntos. A enfermidade das drogas exige consciência múltipla, participação de todos, mas, acima de tudo, exige o urgente cultivo dos verdadeiros valores da vida humana.

Num estudo recente sobre a problemática das drogas através dos tempos, se percebeu que, sempre que se perverterem os valores da vida, do ético, da moral e do religioso, o abuso das drogas se fez presença na comunidade humana. Há uma relação direta entre a decadência dos valores e o abuso das drogas. Qualidade de vida sempre foi e sempre será a força maior no combate ao abuso das drogas. Portanto, a problemática das drogas não é apenas um fenômeno físico, social, econômico, mas, e acima de tudo, é uma problemática da vida, de valores, do ético, do existencial, do coração humano.

A consciência, a prevenção, o combate e o tratamento físico são necessários e urgentes, mas, sem a ajuda do psíquico, do existencial e do espiritual, será destinado ao fracasso. Sempre que a vida se tornou um pouco de droga, as drogas se tornaram companheiras da vida.

O CULTIVO DOS VALORES

Por isto mesmo, a gravidade desta enfermidade, que debilita a saúde do corpo, do espírito e da vida de milhões de pessoas pelo mundo, exige, além da consciência e da competência a nível profissional e humano, o cultivo dos verdadeiros valores da vida. Aqui se situa a compreensão mais interna de toda problemática das drogas, um problema de desamor com a vida, de frustração existencial e de sentido, gerando o vazio e as compensações em todos os níveis, de modo todo particular a compensação pelas drogas, isolando as pessoas de si próprias, dos outros e de Deus. Todo usuário de drogas, na prática, é um impotente, um fracassado, onde, além dos cuidados para um sadio tratamento, se exige muito amor, compreensão e carinho.

COLOCAR DEUS NA VIDA

É sempre uma grande verdade aquilo que Cristo afirmou: “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo,15,5).

Sto. Agostinho fala desta nossa realidade humana. “Quão tarde te encontrei, meu Deus. Inquieto estava meu coração enquanto não descansou em vós, ó Senhor”.

Aqui se situa a grande missão e papel da Igreja no combate às drogas. Temos que dar ao homem de hoje, mendigo da vida e órfão dos verdadeiros valores, a mensagem rica de sentido, de valores e de esperanças que possuímos.

Na verdade, sem a presença dos autênticos valores da vida, sem uma séria disciplina interior, sem muito amor, sem uma sadia espiritualidade, pouco se conseguirá diante do poder destruidor das drogas. Sem Deus, mesmo quando poderosos, nos tornamos fracos e, com Deus, mesmo fracassados, nos tornamos fortes.

Pe. Evaristo Debiasi

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