Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Catequese "MISSÃO JOVEM"
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Para quem não pretende encerrar o mundo na palma da mão, mas deixa em aberto a possibilidade imprevista de Deus manifestar-se gratuita e livremente, a ressurreição de Jesus é a resposta do infinito aos nossos mais profundos anseios, é a confirmação maravilhosa de nossas certezas mais básicas: vale a pena viver, apesar das adversidades; a vida tem sentido, apesar de tantos absurdos na vida; o futuro está sempre à nossa frente e à nossa espera.
Na sociedade atual, a vida vale muito pouco. A morte tornou-se cardápio de cada dia. Os meios de comunicação e as conversas familiares transpiram notícias que geram angústias e decepções. Assassinatos, suicídios, acidentes, massacres, guerras, doenças crônicas... são os instrumentos fatais do poder da morte. Sem esquecer que a morte é preparada e travestida com violência
urbana, corrupção política, erotização
e prostituição infantil, concentração de renda,
discriminações e preconceitos de todo tipo, exclusão
social e promiscuidade sexual, desemprego e mendicância, analfabetismo...
Nas sociedades tradicionais, em nome da verdade se mentia; mascarava-se a verdade com atitudes e comportamentos hipócritas. Na sociedade moderna, em nome da liberdade e do prazer a todo custo, as pessoas se escravizam a si mesmas, submetem-se a ídolos da moda, do consumo e do prazer. Ídolos que satisfazem as necessidades imediatas, imediatistas, dando vazão aos impulsos da pele e dos sentidos externos do corpo. Não há compromisso com a profundidade, com o núcleo existencial da vida. Surfa-se na existência. Vive-se na corda bamba do circo, arriscando a queda a qualquer momento. Há medo de entrar pelos meandros dos anseios mais humanos, das carências mais urgentes. Há receio de se perder a liberdade no encontro com as exigências mais profundas do próprio eu: educação para o amor responsável e partilhado, fidelidade a opções fundamentais, disciplina interior, orientação e sentido para a vida.
Quem escolhe ou se deixa levar por esse estilo de vida, torna-se, a um tempo, agredido e agressor. Agredido porque se esquece de si, para entregar-se e vender-se aos ídolos que matam os próprios adoradores. Agredido porque vive vegetando. Vende-se à moda, ao frenesi. Alimenta-se de aflições, decepções, desilusões. Basta pensar no grande número de suicídios entre os jovens da classe média, empanzinados com bens materiais, mas vazios de sentido para a vida. Além de agredido, quem assim vive, torna-se agressor da vida alheia. Faz do outro uma coisa, um trampolim para subir na vida. Desinteressa-se pela construção de uma sociedade justa e fraterna, excluindo do banquete da vida os irmãos e as irmãs.
Numa sociedade assim postulada, que nos trata como massa sobrante, menos importantes do que o dinheiro e o capital, é hora de juntos gritarmos: não há poder neste mundo que nos separe do amor e da vida; não há ídolo neste mundo que nos faça consumidores, materialistas, individualistas. Nesse ambiente, os cristãos fazem um destemido anúncio: somos seguidores de um Crucificado, rejeitado por mãos iníquas, mas que venceu a maldade e a prepotência do mundo, que não se vendeu aos prazeres egoístas, mas permaneceu firme no caminho da justiça e da solidariedade. Quando falamos em Páscoa, falamos de vida, justiça, fraternidade. Falamos dos sonhos humanos que dormem no coração de muitos e que precisam manter-se acordados. Viver a Páscoa é manter a utopia mínima dos bens necessários à vida material, a utopia média da vida feliz neste mundo e a utopia máxima da vida no céu. Viver a Páscoa é promover passagens: do egoísmo para a solidariedade, da indiferença para a participação, da exclusão para a cidadania! Comemorar a Páscoa é lutar pelo sonho de uma vida feliz já neste mundo, com tempo para o lazer e a cultura, a arte e a religião, o voluntariado e a política, no serviço à comunidade e na contínua descoberta do sentido da vida. Festejar a Páscoa é empenhar-se, desde já, pelo sonho da vida eterna, da vida plena com Deus e os irmãos e irmãs no céu, fazendo o céu acontecer, desde já, na terra. Portanto, celebrar a Páscoa é gritar nosso amor pela vida, é rejeitar todos os esquemas que nos levam a ser produtores e adoradores da morte. Pe. Vitor Galdino Feller |
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