Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Primera Página

Depois de termos refletido sobre a vida e as formas de morte, durante a Quaresma, através da temática proposta pela CF/2001, nada melhor do que retomar o mistério da Ressurreição de Jesus. Diante deste mistério, o binômio vida-morte encontra explicação e resolução.

AS GRANDES PERGUNTAS

Enquanto limites de toda ordem nos oprimem, nosso coração, inconformado, se pergunta: até quando? E sonhamos com nova ordem, em que luto, pranto e fadiga cedem lugar à alegria, à exultação, à paz definitiva. Cada qual, por sua vez, faz a pergunta, repassada de esperança, do apóstolo São Paulo: “Quem me livrará deste corpo de morte” (Rm 7,24)?

Quanto mais o ser humano se adentra nos mistérios da ciência e pensa encontrar respostas definitivas, tanto mais descobre seu limite e entrevê a profundidade do mistério que envolve o universo e o seu próprio ser. Os avanços da genética, das comunicações e de outros campos da ciência produzem um alvoroço de alegria, por um lado; graves e sucessivas perguntas, por outro lado.

Para melhor entender, é preciso ter presente que Jesus morreu crucificado. A morte mais ignominiosa e terrível então conhecida. A morte de cruz era um escândalo social e religioso. O crucificado era um banido da sociedade e um rejeitado por Deus. O Deuteronômio (21,23) diz: “Maldito de Deus é quem pende de uma cruz!” Na época, a morte de Jesus foi um fracasso total.

DEUS É PELA VIDA

Mas, Jesus ressuscitou. Ele está vivo, sua obra continua irrefutável. Falamos de Jesus e abraçamos sua causa, apesar da cruz. Sua ressurreição faz-nos entender que Deus não é pela morte, como destino das pessoas. Nele, a vida superou a morte. “Ele não é Deus dos mortos, mas dos vivos”(Mt 22,32).

O que conduz à morte não é próprio do cristão, nem do ser humano, criado para a vida. Jesus nos recorda: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”(Jo 10,10). Com efeito, nosso Deus é o Deus da vida; por isso, “faz viver os mortos e chama à existência as coisas que não existem”(Rom 4,17).

Ao homem de hoje, subjetivista e as vezes pessimista, Deus comprova sua fidelidade. Ao ressuscitar Jesus, faz-nos entender que não abandonou Jesus, nem abandona os seres humanos. “O meu Espírito que ressuscitou Jesus dentre os mortos, ressuscitará também os vossos corpos mortais”(Rom 8,11).

Afirmar a Ressurreição, observe-se bem, não é lembrar um fato isolado da vida de Jesus. É bem mais. É a realização em si mesmo, da mensagem de libertação total que pregou e prometeu. Em Jesus temos a nova humanidade, o novo Adão, no qual todos seremos vivificados (cf. I Cor 15,22).

O REINO DE DEUS

Por isso, em Jesus, o Reino de Deus já está misteriosamente presente, nesta terra. Quando Ele voltar, consuma-lo-á.

O que é o Reino de Deus? É toda a realidade humana e cósmica a ser transfigurada e libertada de todo sinal de alienação. O mundo, como está, não pode ser morada ou pátria do Reino de Deus. Precisa ser profundamente transformado.

Jesus lembra, em Jo 18, 36, que “seu Reino não é deste mundo”, quer dizer, destas estruturas injustas e pecaminosas que nos cercam. O Reino de Deus é dele e será Ele que vai intervir e sanar toda realidade. O mundo será elevado a novo céu e nova terra.

Celebrar a Páscoa é reconhecer que, em Jesus, o reino de Deus se realizou: a morte, o ódio e todas as alienações da existência humana, nele, foram vencidas. Com efeito, a maior inimiga do ser humano e de sua sede de realização e vida plena é a morte. Com S. Paulo repetimos: “Ó morte, onde está tua vitória?... A morte foi tragada pela vitória”(1Cor 15,55).

SEMENTES DE MORTE

A morte está presente com intensidade cruel, no dia-a-dia de nossa sociedade, quer nas guerras e nos presídios, quer nas ruas e nos assaltos. Favorecem-na a injustiça e a ganância, ancoradas no coração humano ou amparadas em estruturas estabelecidas e reconhecidas. Há sementes de morte no ódio, no egoísmo, no pan-sexualismo, na preguiça, na droga, afinal, em toda forma de pecado.

A VIDA VENCE A MORTE

O coração sabe, no entanto, que não é feito para esse imediato. Aspira, sem cessar, para uma realidade melhor, para a justiça, o amor, a fraternidade, a beleza, a paz, o equilíbrio. É uma utopia que machuca o coração. Pois bem, em Jesus Ressuscitado recebemos a resposta definitiva de Deus: Ele é a vida que vence a morte. Nele, a vida eterna já está definida e perfeitamente estabelecida, no mundo. Em Jesus, o confronto pecado-graça conhece um final bom.

Concluímos a partir dessas colocações, que a CF/2001, ao contrapor “Vida sim. Drogas não!” propõe à reflexão uma das dimensões mais profundas da fé. O ser humano criado para a vida não pode involuir. Feitos para o amor, em Jesus Ressuscitado encontramos a confirmação do eterno amor de Deus por nós. Caminhemos, pois, para o amor. Optemos pela vida!

Se assim optarmos, tornamo-nos testemunhas, protagonistas da preservação da vida e da luta contra todas as formas de morte.

Ir. Aloísio Kuhn

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