Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Catequese "MISSÃO JOVEM"
Primera Página
|
PAX CHRISTI ou PAX NEOLIBERAL Nossa sociedade atual é marcada por muitas injustiças e desigualdades. É quase automático percebermos como a sociedade no tempo de Jesus se encaixa em muitos aspectos de nossa sociedade atual. Como se pode falar de paz e viver bem em uma sociedade assim? PAX ROMANA Jesus, no evangelho de João, nos diz: Deixo para vocês a paz, a minha paz vos dou. A paz que eu dou para vocês não é a paz que o mundo dá (João 14,27). Que paz é esta que Jesus deixa para nós, seus discípulos e discípulas? Talvez seja mais fácil começar pela paz que ele não nos deixa. Ele diz que sua paz não é a paz que o mundo dá. No tempo em que a comunidade Joanina está relatando estas palavras de Jesus, o mundo é o império romano. E a paz que o império dava era a Pax Romana. A Pax Romana, um sistema altamente hierarquizado, em que o imperador era adorado como um Deus. Umas poucas famílias muito ricas controlavam a maior parte das terras e das riquezas do império. As famílias mais ricas controlavam as mais pobres. Os núcleos urbanos mais centrais controlavam os núcleos e as aldeias periféricas. A grande maioria da população estava na base da pirâmide e era formada por uma grande quantidade de escravos. Todos deviam cumprir suas obrigações para com os que lhe eram superiores. Qualquer tentativa de mudança da ordem estabelecida era reprimida com violência. A obrigação mais zelosamente exigida pelas elites era o pagamento dos impostos. Quando tudo isso estava funcionando bem, sem que nenhum grupo tentasse subverter a ordem, sem que nenhum povo lutasse para libertar-se do jugo romano, quando a dominação e a submissão eram soberanas, então brilhava a Pax Romana. Por um lado era a paz da espada, dos grilhões, da escravidão. Por outro, da insensibilidade e da indiferença, do individualismo, do consumismo e da ganância. Não é esta a paz que Jesus nos deixa. No entanto, parece ser nesta que nós vivemos. E o terrível é que a maioria de nós cristãos está acomodada dentro da Pax Neoliberal. São raras as comunidades, as ações e as vozes proféticas que se fazem ver e ouvir nos nossos dias. Cresce a acomodação e a adaptação não só fora dos momentos de culto, mas agora também nos próprios momentos de culto e louvor. A PAZ DE JESUS Como a comunidade Joanina viveu a paz de Jesus? Em primeiro lugar, a comunidade joanina diferenciava-se do mundo: Eu lhes dei a tua palavra, mas o mundo os odiou, porque não são do mundo, como eu não sou do mundo (João 17,14). Por aqui já podemos refletir muito: Como cristãos, em que nós nos diferenciamos das pessoas? Será que freqüentar determinados lugares de culto, observar determinados rituais, praticar algum tipo de caridade assistencialista e sentir-se bem é o bastante para que Jesus nos reconheça como suas discípulas e discípulos? Apesar de ser uma comunidade envolvida em fortes conflitos e sofrendo violentas perseguições, tem a paz de Jesus e a vive: A paz esteja convosco (Jo 20, 19.21.26). Era a paz de Cristo que fazia a comunidade Joanina diferenciar-se do mundo. A paz que vem da certeza do amor de Deus, manifestado em Jesus, por nós. Vem da gratidão que nasce da compreensão da grandiosidade e da gratuidade deste amor que joga sua vida na aventura de nos amar mesmo sem saber de nossa resposta. Esta certeza e esta gratidão abrem a comunidade para acolher aos desprezados e marginalizados (samaritanos, cegos, coxos, gregos, impuros, mulheres...). A cena exclusiva do evangelho de João, que nos apresenta Jesus lavando os pés de seus discípulos e discípulas, nos mostra que outro fruto importante da paz de Cristo é o serviço mútuo. Se, portanto, eu, o Mestre e o Senhor, vos lavei os pés, também deveis lavar-vos os pés uns aos outros (João 13,14). Não um serviço que humilha, mas um serviço que dá dignidade, porque subverte e destrói as hierarquias, constrói novas relações, semeia uma nova sociedade. O AMOR Fruto da paz de Cristo é também o amor: Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como eu vos amei amai-vos também uns aos outros. Nisso reconhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros (João 13,34-35). A paz de Cristo que nasce do amor de Deus por nós. Amor que em Jesus Cristo nos faz filhas e filhos de Deus e nos impele, pela força do Espírito-Paráclito, a buscar uma sociedade que possibilite a todas as pessoas uma vida com a dignidade da Vida Abundante (João 10,10). Que a comunidade Joanina inspire nossas comunidades a receberem e a vivenciarem a Paz de Cristo. Como fazer isto concretamente nas nossas cidades é um desafio que nossas comunidades deveriam abraçar com carinho nestes tempos de insensibilidade e individualismo. Luiz José Dietrich |
Visite as outras páginas
[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO] [MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E. - Missio] [Noticias] [Seminários] [Animação] [Biblioteca] [Links]