Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

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Já se tornou comum entre nós o planejamento pastoral.

A Diocese tem seu Plano de Pastoral, feito num processo de planejamento, através de Coordenações, Conselhos Pastorais e Assembléia de Pastoral.

A paróquia, seguindo o modelo da Diocese, reúne as lideranças no final do ano, faz avaliação e planeja o próximo ano.

As pastorais também planejam o ano seguinte.

Mas, como isto acontece?

Como se faz este planejamento?

Ele é considerado realmente importante na ação evangelizadora?

Não podemos nos iludir de que a nossa pastoral está sendo planejada adequadamente. Por ser um instrumento complexo e de muitos elementos, o planejamento pastoral muitas vezes é camuflado. Muita gente faz apenas o cronograma de atividades e diz ter feito planejamento.

Planejamento é pensar a ação antes, durante e depois dela. Planejar é uma maneira de tomar decisões sobre a nossa ação.

Quando agimos, sempre estamos tomando decisões, quer queiramos quer não. Podemos tomar decisões improvisadas, sem refletir anteriormente. Não existe uma ação totalmente impensada.

A diferença é que, às vezes, se pensa mais, outras vezes se pensa menos, mas não existe uma total improvisação.

Planejamento é o processo de busca de decisões lúcidas, que atendam às necessidades da realidade, e que orientem a ação em vista de uma pastoral orgânica, de conjunto.

O Papa Paulo VI dizia que: “A atividade pastoral não pode se processar às cegas. O após-tolo não corre no encalço do incerto
(cf. 1Cr 9,26). Hoje, o planejamento supera a acomodação e o perigo do empirismo. Um sábio planejamento pode oferecer também à Igreja um meio eficaz e um incentivo à evangelização”. (Paulo VI aos Bispos da América Latina, em 23/11/1965).

O planejamento envolve todos os agentes, em todas as etapas de uma ação, tornando-os sujeitos do processo participativo.

Não basta planejar. A questão é como planejar. O modo como se planeja determina a qualidade da ação. Por isso, a metodologia é fundamental no planejamento.

Metodologia não é invenção da Igreja, é uma contribuição das ciências sociais à pastoral.

O método é um caminho, uma ferramenta que podeser útil ou não, dependendo de como o aproveitamos ou utilizamos.

Há o método paternalista, onde alguém pensa, determina e faz tudo pelo grupo, a exemplo de um pai em relação à criança. Esse método tem como conseqüência a passividade, o comodismo, a

resignação, a aceitação sem questionamentos...

O método liberal é a atitude oposta às duas anteriores. É aquele que permite tudo, não questiona. É cômodo. Conseqüência deste método é o comodismo: caminha-se como quer, cada um na sua, e por onde é mais fácil.

Há o método participativo que envolve a todos em todas as etapas da ação, antes, durante e depois. Todos são iguais e tornam-se sujeitos. As conseqüências são: responsabilidade, igualdade, maturidade, compromisso, crescimento...

O documento de Medellin (Md 15.36) fala que toda a ação pastoral bem planejada supõe valorizar alguns elementos. Eis alguns destes elementos:

1.º Um estudo sério da realidade. Ao planejar, precisamos saber as necessidades e os problemas existentes, conhecer o que já existe. Ajuda muito para isso o auxilio das ciências sociais.

Uma adequada apreciação crítica da realidade permite definir melhor os objetivos a serem alcançados.

2.º Uma reflexão teológica sobre a realidade. Nós não somos analistas sociais. Somos pessoas iluminadas pela fé. Há sempre uma pergunta fundamental: como deve ser nossa comunidade, nossa paróquia, a catequese? Uma pergunta que vai se completar com outra mais exigente: como Cristo e a Igreja querem nossa paróquia, nossa comunidade, a catequese, nossa pastoral?

3.º Um levantamento de material humano.
Um processo de renovação pastoral não pode centrar-se em algumas poucas cabeças. É preciso sensibilizar a maioria e levá-la a participar ativamente. O plano é da comunidade e para a comunidade. Isso não quer dizer que se dispense uma assessoria bem preparada, que pode ajudar a definir melhor o caminho a ser percorrido.

4.º Determinação de prioridades de ação.
São prioridades os objetivos concretos que se traduzem depois em projetos bem definidos, amarrados e até marcando etapas progressivas. Pode-se facilitar com perguntas simples como estas: O quê? Quem? Quando? Com que meios?

5.º Elaboração do Plano. Colocar no papel tudo o que foi conversado e definido. Não é o plano bonito que vale, mas um plano realista e de possível execução. Por vezes, se fazem coisas tecnicamente bem elaboradas, mas difíceis de serem realizadas, porque o povo não tem pernas para caminhar daquele jeito.

6.º Avaliar periodicamente a caminhada.
A avaliação do Plano dinamiza e renova, permitindo correções e ajustes necessários.

Pe. Elias Della Giustina
Coordenador de Pastoral de Tubarão - SC

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