Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Catequese "MISSÃO JOVEM"
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O humorista Arnaud Rodrigues na canção Índio do Uruguai aprende sabedorias milenares com um velho índio. O sábio palhaço fisga lições vitais da cultura guarani, sensível ao místico, à convivência pacífica, à economia de reciprocidade, à interação ecológica e à fé alegre. A prosa é simples, os grifos são meus:
É isso aí. O sábio palhaço do programa de TV A Praça é Nossa escreveu esta lição nos anos 70. Mas como as sabedorias do Espírito não tem dono nem idade, são atemporais e universais; as lições do velho índio continuam atualíssimas. Ainda mais nestes tempos críticos em que alguns pseudo-donos do mundo, mega-empresários das indústrias da fome e da guerra, reviraram o Planeta de pernas pro ar deixando-nos a impressão de que o mundo está falido. O CATEQUISTA ESPÍRITO SANTO
Na verdade, eram 900 povos com 320 línguas e dialetos diferentes. No baixo amazônico, por exemplo, o Tupi-guarani e o Tupinambá garantiam a convivência pacífica não só na diversificação lingüística, mas também culturais, isto é, atingindo o conjunto variado de costumes, culinária, tecnologias, visão religiosa e utopias. Onde e com quem aprenderam esta vida de Pentecostes, invertendo Babel, usando línguas federativas? Sem dúvida, é com o catequista chamado Espírito Santo. É Ele o mestre em semear o Cristo no coração de todas as culturas, há milênios. UNIVERSALIDADE GUARANI É impressionante no guarani, por exemplo, este jeito de ser que
busca valores universais. Eu diria que o pensamento deles não está tão distante do nosso pensamento utópico. Quando nós pensamos utopia e falamos com o Guarani, parece bastante afinado. Talvez o estilo do povo Guarani seja facilmente universalizável, assim como o budismo também é facilmente universalizável. Há povos que, pela sua cultura, são relativamente fáceis de serem universalizados, tanto pela sua linguagem, quanto pelo seu modo de ser pacífico, que consegue as coisas mais pela paciência do que pela agressividade. Para os guarani, o mito da Terra sem males faz dele mais que um povo migrante, um povo que se crê povo das palavras sem males. Ele se pensa assim, mensageiro de Nhanderu, catequista de Nhanderu construindo uma Terra sem males, aqui e para além daqui. Prova de que esta beleza provém do Espírito Santo é a resistência impressionante destes povos em continuar obedientes a Deus após tantos etnocídios, descasos e abusos cometidos ontem e hoje com seus descendentes. Se não fosse na força do Espírito, não resistiriam. Afinal, é o Espírito que evangeliza, ontem, hoje e sempre. Antes de nós e para além de nós. NA ALDEIA DE MACIAMBU Além da canção do humorista, repasso-lhes outra obra prima inédita, bem ao sabor da CF 2002: É do CD Mboraí Marae - y - Cantos sagrados - gravado na aldeia do Maciambu - Palhoça-SC. Compositores e cantores são jovens Mbyá-guarani que cresceram entre nós. Tinham vergonha de cantar e dançar para Deus Nhanderu e para a Mãe do Céu Nhandecy, porque sentiam que os não-índios debochavam de seus rituais. No CD eles quebram a timidez. As letras são mântricas, tem sabor de ladainha, cantochão. Mais parecem suas flechas certeiras no alvo do essencial. Vejam só: Vamos alcançar, mesmo longe, a Terra Sem Males / Quando chegarmos, vamos cantar nossa música / para sermos felizes. (Música: YVY PORÃ -Terra sem males) Jaci Rocha Gonçalves - teólogo culturalista |
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