Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Primera Página

Planejamento é uma palavra e uma atitude que, à primeira vista, nada tem de mística e de espiritual. Parece coisa que pertence ao domínio da ciência, onde pouco espaço haveria para a relação com as coisas espirituais e com as luzes do Espírito Santo.

Quando porém se trata de ação pastoral, o planejamento é a atitude:

• de quem crê, de quem ouve o que Deus tem a dizer;
• de quem se dispõe a ser instrumento do projeto de Deus;
• de quem olha a realidade com o olhar de Deus, para julgá-la e transformá-la segundo o projeto de Deus.

Na obra da evangelização, planejar é deixar-se guiar pelos sinais dos tempos, pelos desafios e exigências da realidade, onde fala o Espírito Santo de Deus.

RELAÇÃO ENTRE REFLEXÃO E AÇÃO

Tudo o que fazemos poderia ser feito de modo diferente. Muitas vezes, tomamos decisões e fazemos coisas de maneira improvisada, sem refletir muito sobre o que se faz. Não se reflete bastante, nem antes, nem durante, nem depois. Na verdade, nunca agimos sem planejar, pois não existe ação impensada. A diferença é que às vezes pensamos mais e outras menos. Não existe improvisação total.

Sempre haverá o imprevisível, mesmo quando pensamos bem e bastante. Por isso mesmo, é preciso garantir um bom espaço para a reflexão e o planejamento da ação: antes, durante e depois. Quando preparamos a ação, começamos a fazer coisas diferentes, fazemos melhor o que temos que fazer, fazemos coisas que nem imaginávamos ter condições de fazer.

AÇÃO PENSADA, ORGANIZADA E AVALIADA

Antes de partir para o céu, Jesus nos deixou seu mandato missionário, como missão de todos os seus discípulos e discípulas (Mt 28,18-20; Mc 16,15). A Igreja se faz no próprio ato de evangelizar. Por sua vez, a evangelização acontece também no ato do planejamento comum. Planejar a evangelização já é evangelizar! Nesse sentido, temos muito a aprender com Jesus Cristo. Ele nos ensinou que toda a nossa ação evangelizadora deve ser pensada, organizada e avaliada.

Nossa pastoral deve ser pensada. Nas parábolas do homem que vai construir uma torre e do rei que vai fazer uma guerra (Lc 14,25-33), Jesus nos adverte que nossa ação tem que ser pensada, temos que ponderar sobre o investimento a ser feito, para não acontecer de ter que deixar as coisas pelo caminho, de fazer as coisas pela metade, de não ser fiel no seu seguimento até o fim. Nossa pastoral deve ser organizada. O próprio Jesus organizou a ação pastoral dos 72 discípulos (Lc 9,1-6; 10,1-12; Mc 6,7-13).

Chamou-os, enviou-os dois a dois, mostrou-lhes aonde ir, ensinou-lhes o que dizer e fazer, indicou-lhes as atitudes a tomar diante da rejeição, confiou-lhes o anúncio do Reino que era o específico de sua própria missão. Nossa pastoral deve ser avaliada. No retorno dos discípulos (Mc 6,30-32; Lc 9,10; 10,17), Jesus chamou-os à parte, retirou-se com eles para um lugar deserto, para descansar, para ouvi-los contar o que haviam feito e ensinado.

A NECESSIDADE ATUAL DO
PLANEJAMENTO PASTORAL

O planejamento pastoral depende do jeito de ser Igreja. Nos últimos séculos, a Igreja havia perdido o sentido do planejamento. Começou a confiar mais nas coisas prontas, nas estruturas e leis, nos cargos e funções.

A leitura e escuta da Palavra de Deus, feita pelos grupos e comunidades, nos faz perceber que o próprio Deus planejou o seu projeto de revelar-se a nós e de nos salvar. Falamos, então, de plano de Deus.

O retorno à Bíblia faz com que a Igreja reaprenda, com Javé, com Jesus e com as primeiras comunidades, a planejar a obra da evangelização. Como Deus, seja no Antigo seja no Novo Testamento, planejou sua obra salvífica em comunhão com o povo, assim também o planejamento da ação pastoral deverá ser feito na comunhão entre os pastores e o povo, entre a diocese e as paróquias, entre as comunidades e as pastorais. Planejar é um ato de amor, de comunhão.

VER, JULGAR E AGIR COMO DEUS

No planejamento pastoral, somos convidados a olhar a realidade do mesmo jeito de Deus. Um olhar que se direciona à ação salvadora, que tem como objetivo transformar a realidade. O agente de pastoral analisa e julga a realidade com os olhos de Deus, não com os nossos critérios, para condenar ou absolver. Para nós, julgar a realidade é analisá-la à luz da fé, iluminá-la com a Palavra de Deus.

É perguntar-se:
O que Deus diria de nossa realidade?
O que nela está de acordo ou é contrário ao plano de salvação de Deus?

O olhar e a análise direcionam nossa ação. Para descobrir o que devemos fazer, é importante contar com a graça iluminadora de Deus. É preciso deixar-se possuir pelo desejo de agir como Deus age, de fazer o que Deus quer. Somos operários de um Reino que não é nosso, mas de Deus. Muitas vezes, já sabemos antes o que fazer. Assim, não obedecemos nem a realidade nem o Espírito de Deus! Planejar a pastoral é deixar-se guiar por Deus e seu plano!

Pe. Vitor Galdino Feller

Visite as outras páginas

[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO] [MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E. - Missio] [Noticias] [Seminários] [Animação] [Biblioteca] [Links]

Voltar