Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Catequese "MISSÃO JOVEM"
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Liturgicamente, o Natal não é a festa mais importante do ano, pois esta primazia pertence à Páscoa. Mas é certamente a festa mais querida, a festa da Vida que nasce, a festa da presença carinhosa de Deus. É tão importante que, sem Natal, não haveria Páscoa! E essa importância é realçada pelas quatro semanas de preparação, as quatro semanas do Advento, palavra que significa chegada, ou vinda. Que tempo lindo, e que preparação cuidadosa! PROFETAS DO ADVENTO Entre os profetas, esses homens extraordinários que, cheios de Deus, nos anunciaram os desígnios divinos, destaca-se, sem dúvida, o grande Isaías. É dele, por exemplo, a profecia do Emanuel, o oráculo em que ele anuncia, ao rei incrédulo, a gravidez de uma virgem que dará à luz um menino especial, cujo nascimento será o sinal concreto da presença de Deus no meio do seu povo: Emanuel, Deus-conosco (Is 7,14)!
Mas ainda um terceiro oráculo de Isaías completa a descrição, os traços desse futuro Rei. Ele será como um rebento do tronco de Davi, sobre ele descerá a abundância do Espírito com os seus dons, e o Espírito o levará a praticar o direito e a justiça, fazendo seu povo viver na segurança e na paz. E então, o lobo será hóspede do cordeiro, o leão comerá erva com o boi, a criança brincará na toca da serpente... porque a terra, o mundo, a nossa pátria, vai estar cheia do conhecimento do Senhor, do verdadeiro conhecimento de Deus que leva à prática da solidariedade humana! Utopia? Sonho? Não, pois o Natal vem mais uma vez acordar-nos para essa possibilidade real. O PRESÉPIO A propósito, um dos mais belos símbolos do Natal é o presépio, cuja invenção é atribuída a São Francisco de Assis. O que será que estão fazendo o boi e o burro junto à manjedoura? Pois o evangelho de Lucas, que nos descreve a cena, não fala expressamente da presença desses animais, embora suponha que o local do nascimento foi uma estrebaria. Por quê? Porque Maria, tendo dado à luz seu filho, envolveu-o em faixas e deitou-o numa manjedoura (Lc 2,7), diz o evangelista, isto é, no cocho de comida dos animais. Portanto, na estrebaria da casa onde se abrigaram. Mas Isaías, esse sim, menciona expressamente o boi e o burro. Onde? Logo no início do seu livro, no oráculo inicial, onde ele escreve: O boi reconhece o seu dono, o burro conhece o cocho do seu proprietário, mas Israel é incapaz de conhecer, o meu povo é incapaz de entender (Is 1,3). O boi e o burro, portanto, não estão ali no presépio como figuras decorativas, ou simplesmente para que, com seu bafo, aqueçam o ambiente para o menino, mas para lembrar-nos, a todos, que é preciso entender, compreender, e tirar as conseqüências desse entendimento: se Deus tanto nos amou, a ponto de enviar-nos seu Filho, dando-nos de presente seu Filho amado (Jo 3,16), que faremos nós senão converter-nos, por causa dessa presença carinhosa em nosso meio? O DEUS BEBÊ São João, no início do seu evangelho, nos diz que a Palavra do Pai, eterna e coexistente com Ele desde o princípio, quando chegou à plenitude dos tempos, tornou-se carne, assumiu a nossa condição humana, e habitou no meio de nós (Jo 1,14). É impressionante que a Palavra, naquele momento, na noite de Natal, tenha aparecido visivelmente entre nós, no presépio, depois de nove meses de silêncio no seio de Maria. E apareceu como um bebê que apenas sabia e podia chorar, incapaz que era de articular seu choro em palavras. No entanto, mesmo sem falar, a sua presença tornou-se mais eloqüente que mil discursos, porque aquele bebê era a encarnação de Deus, o Deus eterno e infinito, que tinha falado tantas vezes e de tantas maneiras a nossos pais pelos profetas (Hb 1,1), e que naquele momento dizia a sua palavra concreta, definitiva, materializada , no corpo infante de Jesus, o filho da Virgem. O NATAL COMPROMETE A propósito, quantas palavras dizemos nós, quantos projetos fazemos, quantos discursos, quantos planejamentos... Quando, afinal, nossas boas intenções e palavras se concretizarão, tornando-se carne, numa vida realmente fraterna, de filhos no Filho, verdadeiramente irmãos entre nós, porque conscientes dessa misteriosa presença real do Senhor em cada ser humano? Vamos dar este passo agora, neste Natal? Pe. Ney Brasil Pereira |
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