Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Moral

O AMOR QUE NOS LIBERTA DE TODAS AS SERVIDÕES

Como foi troca de idéias com os catequizandos sobre o significado e a concretização do amor libertador nas relações curtas?

Lembra-se, prezado (a) catequista, do convite que lhe foi dirigido no mês passado? Chamávamos a sua atenção para o fato de que os catequizandos precisam ser conscientizados de que todos os seguidores de Jesus Cristo estão comprometidos com a vivência do amor entendido como prática libertadora.

E ainda acentuávamos que de modo concreto esta prática deve acontecer no âmbito das relações curtas, uma vez que são estas as relações que configuram a nossa vida, o nosso mundo cotidiano.

Todos os dias, e isso é inevitável, estamos próximos de tantas pessoas. Esta proximidade, segundo o espírito ético de Jesus, nos interpela para a pratica libertadora do amor, pois amar, procurando permanecer próximo, significa acolher, aceitar o outro como imagem de Deus.

Também, já tínhamos afirmado que o plano das relações longas, principalmente no contexto atual que vivemos, é um apelo contínuo à prática libertadora do amor.

Mas como entender esta exigência que compreende cada sociedade em particular e a humanidade por inteiro?Para que fique bem o que subentende a idéia de "relação longas"tenhamos presente o fato de que no mundo das relações curtas sempre estamos diante de pessoas concretas.

Os espaços, os ambientes pode mudar, mas sabemos que neles sempre estaremos diante de pessoas reais.

E agora quando falamos da sociedade, da humanidade que são milhões de pessoas desconhecidas, anônimas, como o amor libertador pode chegar até elas?

Este questionamento abre nossos olhos para a verdade de que o amor libertador tem uma forte dimensão social. Ele aponta para o plano sócio-político-econômico.

Falando nas relações curtas, amar significa estender os braços para acolher o próximo.

Já nas relações longas são as estruturas sociais, políticas, econômicas que servem de mediação para a construção da sociedade justa e fraterna.

Sob a ótica evangélica, todas as estruturas e instituições sociais, como instrumento de humanização, tem por finalidades especificas promover a vida digna para todos ou, nas palavras de Jesus, a "vida em abundancia".

AMOR= LIBERTAÇÃO INTEGRAL

É a partir dessa dimensão que percebemos claramente que amor , proclamado por Jesus como o novo mandamento, no plano social só pode acontecer como libertação integral. Ou seja, é libertação de toda escravidão, de qualquer tipo de discriminação, é ruptura com todas as exclusões, com as injustiças...

Como diz Puebla, "é uma libertação que se vai realizando na história, a libertação de nossos povos e a nossa própria pessoal, e abrange as diversas dimensões da existência: o social, o político, o econômico, o cultural e o conjunto de suas relações. Em tudo isso há de circular a riqueza transformadora do Evangelho, com sua contribuição própria e especifica, que se deve salvaguardar." (483)

AMOR = TRANSFORMAÇÃO DE TODAS AS RELAÇÕES

É preciso que no plano social este amor tem o poder de transformar todas as relações verdadeiramente humanas, pois ele se anuncia e se efetiva como "libertação de todas as servidões do pecado pessoal e social, de tudo o que transvia o homem e a sociedade e tem sua fonte no egoísmo, no mistério da iniqüidade", para converter-se em "libertação para o crescimento progressivo no ser, pela comunhão com Deus e com os homens, que culmina na perfeita comunhão do céu, onde Deus é tudo em todos é não haverá mais lágrimas" (Puebla, 482).

Para entender que esta foi a prática libertadora do amor de Jesus, sugiro que você, catequista, juntamente com os catequizandos, procurassem elencar e refletir, a partir do Evangelho, quais são as ações concretas de Jesus que testemunham o ideal de libertação de todas as servidões. Meu abraço fraterno.

Pe. Márcio Bolda da Silva
Professor de Teologia Moral no ITESC

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