Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Dinâmica

Após o Vaticano II tomamos consciência de que a mesa da Palavra e da Eucaristia assumem igual importância. Encontramos isto nas constituições dogmáticas:

Dei Verbum (sobre a Revelação Divina). “A Igreja sempre venerou as divinas Escrituras, como também o próprio Corpo do Senhor, sobretudo na sagrada liturgia, nunca deixou de tomar e distribuir aos fiéis, da mesa tanto da palavra de Deus como do Corpo de Cristo, o pão da vida” (DV 21).

Sacrosanctum Concilium (sobre a Sagrada Liturgia). “As duas partes de que se compõe de certa forma a missa, isto é, a liturgia da palavra e a liturgia eucarística estão todas estreitamente unidas, que formam um só ato e culto” (SC 56).

Estes mesmos documentos pedem para que os fiéis sejam instruídos na catequese a fim de que participem da missa inteira devido à importância que cada parte comporta.

DINÂMICA:

Para entendermos melhor vamos partir do texto bíblico de Lc 24, 13-35, que nos faz refletir sobre a caminhada celebrativa feita com Jesus e a comunidade.

- Ler e dramatizar o texto.
- Transcrever as partes mais importantes (Pode-se escrever as frases que destacam cada parte).
- (Ou ainda, para crianças, desenhar cada parte).

1.ª parte - Jesus caminha, aproxima-se como amigo dos discípulos, escuta, sente seus problemas e a realidade que estão vivendo (Lc 24, 13-24).

2.ª parte - Jesus retoma com eles a Sagrada Escritura iluminando os fatos que faziam sofrer seus amigos.
Eles descobrem, nas Escrituras, sinais de vida e de esperança (Lc 24, 25-27).

3.ª parte - Jesus se dá a conhecer no gesto comunitário de partilha do pão, na celebração da ceia (Lc 24, 28-31).

4.ª parte - a experiência realizada na partilha da Palavra e do pão os faz “abrasar o coração” e, portanto, vão anunciar a todos, isto é, à comunidade, o acontecido (Lc 24, 32-35).

Nós também percorremos um caminho com Jesus como os discípulos de Emaús, quando nos reunimos para celebrar a Eucaristia.

Neste caminho celebrativo Jesus faz estrada conosco, onde vivenciamos várias situações humanas: encontramos e acolhemos pessoas, pedimos perdão pelas nossas faltas, agradecemos a vida que temos, escutamos a Palavra de Deus e a Palavra da comunidade, professamos publicamente a nossa fé, ofertamos os bens e a nossa vida, nos alimentamos e, assim, fortalecidos com as duas mesas, estaremos dispostos a testemunhar e a assumir compromissos, próprios de cristãos comprometidos na construção do Reino de Deus.

A MESA DA PALAVRA

Nestes últimos tempos, a Bíblia é o livro que tem presença marcante na vida de nosso povo.

A Palavra de Deus faz caminho e constrói comunidades. Provoca encontros com Deus e os irmãos. Ilumina os entraves da vida e questiona atitudes adversas ao pensamento de Deus. Cria esperança, força e coragem. É sinal de resistência e luta contra a falta de paz e de justiça.

Diz a Sacrosanctum Concilium: “Para que a mesa da Palavra de Deus seja preparada com a maior abundância para os fiéis, apresentem os tesouros da Bíblia, sejam mais largamente abertos, de tal forma que, dentro de certo número de anos, sejam lidas ao povo as partes mais importantes da Sagrada Escritura.”

Para que a Palavra seja realmente alimento, é preciso que ela seja bem proclamada, bem entendida, bem participada.

Proclamar é diferente de ler. É fazer as palavras brotarem do coração. Ninguém lê para si, mas para o povo.

A catequese tem o dever de fazer uma boa iniciação à escuta da Palavra com os seus catequizandos. Ninguém ama o que não conhece, portanto, a catequese é o espaço para se criar um grande amor à Palavra de Deus e torná-la parte indispensável na vida de todo cristão.

A MESA DO PÃO

Na última ceia, Jesus de Nazaré quis dar um lugar privilegiado ao corpo: “Tomai e comei: Isto é o meu corpo” (Mc 14, 22; Mt 26, 20); “Tomai e bebei: este é o cálice do meu sangue”. Estes gestos eucarísticos são a expressão máxima da vida de Jesus. Toda sua vida foi uma entrega radical de amor, na mais plena gratuidade. A vida toda de Jesus foi eucaristia: partilhou o pão com a multidão faminta (Mc 8,1-10), teve compaixão, identificou-se com os pobres, com os pequenos, encontrou-se com uma variedade de rostos e “amou a todos até o fim” (Jo 13, 1).

A mesa do Pão é força na caminhada do povo. Torna-se comunhão, isto é, plena união entre Jesus e as pessoas. É energia de vida cuja fonte é o próprio Deus que se dá em alimento.

A comunidade se encontra na mesa do Pão. Celebra a vida, partilha alegrias, sofrimentos... reforça o sentido da solidariedade...

O sonho de Jesus era fazer uma humanidade eucarística, isto é, que o grande sacramento fosse a partilha. Ele mesmo foi reconhecido pelos seus discípulos na partilha do pão. Todo cristão e cristã será verdadeira-mente seguidor de Jesus quando se transformar em eucaristia partilhada.

Jesus é o pão da vida. “Quem vem até ele nunca mais tem fome e o que nele crê nunca mais tem sede”
(Jo 6, 34).

Podemos cantar para tomar consciência do grande mistério eucarístico e do compromisso que nos propõe:

“Não pode faltar a Palavra, não pode faltar-nos o Pão, não pode faltar compromisso, a quem quer um mundo de irmãos.

Teu pão, ó Senhor, nos sustenta, na luta de um mundo melhor. O teu Evangelho transforma! Tu és nosso Deus Salvador!”

Ir. Marlene Bertoldi

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