Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Dinâmica

Se olharmos no nosso dia-a-dia, vamos perceber o quanto se usa o óleo. Ele é utilizado de várias maneiras, com várias funções. Ele está na cozinha, no desenvolvimento das máquinas e motores, nos remédios, nos perfumes, portanto, está no trabalho, no comércio, no lazer, na doença e também na morte.

Como vimos anteriormente, o óleo tem o caráter de dar força, resistência, agilidade, sabor, cura e conservação. Ele ainda simboliza riqueza, abundância, alegria, amizade, paz, aliança...

Na Bíblia, o óleo tem um forte sentido. No Antigo Testamento eram ungidos os sacerdotes e reis. Os profetas eram considerados também ungidos de Deus.

A unção era em vista de uma missão. O exemplo mais claro é de Saul e de Davi (1Sm 10, 1ss; 16, 13), mas no Novo Testamento temos Jesus como o grande ungido de Deus (Is 61, 1-2; Lc 4, 18-19).

O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperar a vista; para libertar os oprimidos, e para proclamar um ano de graça do Senhor”.

Neste texto Jesus expõe claramente seu programa, em vista de sua missão:
missão libertadora dos pobres e oprimidos.

Na Bíblia a unção com óleo significa alguém consagrado, abençoado em vista da realização de uma missão.

Na Sagrada Escritura e na tradição da Igreja, o óleo tem a ver com a comunicação do Espírito de Deus. Com o óleo, o Espírito Santo penetra todo o ser, se faz presente de modo imperceptível, perpassando todas as coisas, comunicando vida e agilidade.

Jesus é o ungido pelo Espírito Santo por excelência (Lc 4, 18-19).

A Palavra Messias ou Cristo significa “o Ungido”. Da mesma forma, todo cristão batizado é um ungido pelo Espírito de Deus. Assim, ungido, todo cristão participa dos poderes de Jesus Cristo, sendo reis e rainhas, profetas e profetisas, sacerdotes e sacerdotisas (1Pd 2, 9-10).

No rito do Batismo, na oração que precede a unção com o crisma (óleo), consagra-se o batizando dizendo: “com o crisma da salvação para que entre a fazer parte de seu povo e seja para sempre membro de Cristo, sacerdote, profeta e rei”.

Somos todos as sacerdotes e sacerdotisas ao receber o batismo, isto é, consagrados. Temos a capacidade de prestar culto a Deus. Jesus, o grande sacerdote, prestou culto a Deus Pai, ao Deus que dá a vida, vivendo como irmão, levando uma vida toda no amor e serviço.
Por isso, não basta participar de funções rituais e cultuais, mas é preciso ser seguidor de Jesus, vivendo como filho de Deus e irmão uns dos outros.

Somos profetas e profetisas. O profeta é aquele que anúncia a boa notícia de Deus (Rm 15, 16) e denúncia tudo aquilo que fere a vida. Todo cristão é convidado “sem vacilar a denunciar o mal com valentia” (João Paulo II).
Todos nós, com nossas palavras, ações e atitudes precisamos testemunhar Jesus Cristo e, por isso, com coragem denunciar toda a injustiça contra os excluídos.

Somos reis e rainhas. Unidos a Cristo, os batizados participam de sua realeza. Jesus Cristo exerceu sua realeza com toda a sua vida, amando, servindo, libertando, salvando.
“Para o cristão, ‘servir é reinar’ (LG 36), particularmente nos pobres e nos que sofrem, onde descobre a imagem de Jesus pobre e sofredor” (LG 8).
Reinaremos com Jesus Cristo, se lutarmos para concretizar o Reino de Deus, que é Reino de justiça, paz, fraternidade, solidariedade...

Óleo: sinal de resistência. Antes de entrar em campo os jogadores fazem massagens especiais nas pernas e no corpo para o aquecimento e assim terão mais resistência.

O óleo, no batismo, é sinal de renúncia a tudo o que leva aos vícios, aos erros, ao mal. A partir do batismo, o cristão é alguém chamado a resistir e não se deixar abater pelas fraquezas. O óleo é sinal de resistência perante o pecado. É também, um convite a se exercitar na graça de Deus e ser um vencedor.

Deus nos ama por sua iniciativa e seu amor foi expresso por Jesus: “E eu tornei o teu nome conhecido, para que o amor com que amaste esteja neles, e eu mesmo esteja neles” (Jo 17, 26).

No nosso dia-a-dia, na vida pessoal, familiar, no trabalho,... somos chamados a ser o prolongamento do amor deste Deus.

Jesus, após ser ungido, parte para a sua missão, anunciando o amor de Deus, provocando mudanças nas estruturas que escravizavam as pessoas.

Apresenta um novo mandamento:
“Amem-se uns aos outros, assim como eu amei vocês” (Jo 15, 12).

Seguir a Jesus é assumir a sua missão.

De nada adiantaria ser ungido, se na prática nos tornamos indiferentes, ou sermos covardes diante do mal. Ser consagrado é viver os mesmos sentimentos de Jesus: compaixão, partilha, amor.

Como eleitos, santos e amados de Deus, revesti-nos de sentimentos de carinhosa compaixão, bondade, humildade, mansidão, paciência” (Cl 3, 12).

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