Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Bíblia - Evangelho de Lucas

O TESTEMUNHO DE JESUS CRISTO VENCE BARREIRAS
O MISSIONARIO LUCAS CONVERSANDO A RESPEITO DO LIVRO DOS ATOS DOS APOSTOLOS (5ª parte)

Irmãos e irmãs de caminhada!

As comunidades cristãs, espalhadas por muitos lugares e povos diferentes, com suas tradições e costumes, buscam ser uma Boa Notícia no meio do mundo. Buscas, incertezas, dúvidas, conflitos, inseguranças, cansaços, sofrimentos, perseguições, desânimos e toda espécie de desafios marcam as pessoas que desejam aplicar os ensinamentos de Jesus e seguir a sua prática. Estes desafios, porém, não são um peso insuportável. O próprio Jesus, no seu Evangelho, nos entusiasma dizendo: “O meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11,30).

Em Atos dos Apóstolos nós usamos a palavra “eutimia”, para definir o “bom ânimo” que nos faz andar sempre para frente sem esmorecer. O Espírito Santo jamais nos abandona quando nos decidimos a caminhar na estrada de Jesus. É com este ânimo que vamos entrar hoje na segunda parte do livro de Atos dos Apóstolos. Apresentando os capítulos de 1 a 5, tratamos do “caminho do testemunho em Jerusalém”. Agora, vamos ver que “o caminho do testemunho sai de Jerusalém e toma o rumo dos pagãos”. Abrange os capítulos 6,1 a 15,35. Dedicaremos três encontros para conhecer este “caminho”.

Para o estudo de hoje ser melhor aproveitado, leiam na Bíblia: (At 6,1 a 8,40).

A caminho da Samaria, Judéia e Síria:
a instituição e a missão dos sete (6,1-8,40).

O movimento de Jesus vai crescendo sempre mais. Junto com o crescimento aparecem novas necessidades que provocam novas organizações. É o que vemos no início do capítulo 6.

As viúvas dos cristãos helenistas (judeus de língua e cultura grega criados fora da Palestina, e portanto considerados estrangeiros e impuros), que haviam perdidos os maridos nas guerras, reclamam contra os hebreus porque não estavam sendo atendidas pela comunidade.

A Lei dos hebreus obrigava à separação de mesa entre os judeus e as outras pessoas. Isso acontecia com as viúvas helenistas. Esta realidade não podia continuar assim! O caminho que Jesus apontou era de abertura e acolhida para mulheres e homens, judeus ou estrangeiros.

Como já vimos no encontro anterior, numa comunidade cristã não pode haver pessoas que passam necessidades. Nenhuma deve ser excluída.

Portanto, de forma participativa e dialogada, tomamos juntos a decisão de escolher “sete” pessoas para o “serviço das mesas”, isto é, para a administração dos bens com o objetivo de suprir às necessidades de todas as pessoas da comunidade. “Os doze” continuariam com o “serviço da Palavra”.

É importante lembrar que os números doze e sete querem expressar a totalidade das pessoas, tanto hebreus como helenistas, que participam das comunidades e vão assumindo algum serviço em vista da evangelização.

O termo muito usado entre vocês é “ministério”. A Igreja é toda ministerial, isto é, ela cumpre sua missão de anunciar o Evangelho, através dos diversos serviços, segundo o dom que cada participante recebe de Deus.

Assumir algum ministério, porém, implica responsabilidade. Nós dizíamos que as pessoas devem ter “boa reputação, sejam cheias do Espírito Santo e de sabedoria”.

Os ministérios devem ser aceitos e legitimados pela comunidade. Eis o sentido da imposição de mãos feita pelos Apóstolos. Isto significa que os novos ministros e ministras recebem o mesmo dom que Jesus transmitiu aos seus discípulos. O dom é de Deus e quem o recebe deve vivê-lo pelo bem da comunidade e do mundo. Assim o Reino de Deus vai crescendo e vai se espalhando pelo mundo inteiro.

ESTÊVÃO:
O TESTEMUNHO DE UM CATEQUISTA FIEL A DEUS

Estêvão foi uma destas pessoas escolhidas para ajudar a comunidade a permanecer no caminho de Jesus. Ele não fica meramente para administrar os bens. Ele também tem o dom de anunciar a Palavra como os Apóstolos. O Espírito Santo é assim mesmo: age, com muita liberdade, e espalha seus dons onde ele bem quer.

Estevão, com seu anúncio, provoca uma reação muito séria por parte do judaísmo oficial. É a elite religiosa, ligada ao sistema do Templo, que quer continuar manipulando a consciência do povo, colocando-a a serviço de seus interesses.

Estêvão representa os judeus-cristãos de cultura grega que, libertos da opressão religiosa, têm uma outra consciência a respeito da salvação de Deus na história humana.

Em seu discurso, Estêvão faz uma memória da história do Povo de Israel, mostrando o verdadeiro rosto de Deus que nos salva por pura misericórdia e gratuidade. Ele diz que Jesus é o cumprimento das promessas do Primeiro Testamento. Ele é o Messias, o Filho de Deus Salvador!

O grande objetivo deste discurso diante do Sinédrio é demonstrar que Deus não precisa de Templo para realizar o seu Plano de Salvação no mundo. Ele está sempre presente onde se encontram as pessoas que praticam o amor e a justiça.

Estêvão, dessa forma, dirige suas palavras contra os membros do Sinédrio, acusando-os de matar a Jesus, como antigamente os poderosos fizeram com os profetas. Diante da honestidade de Estêvão e sentindo-se profundamente atingidos, taparam os ouvidos e cheios de raiva o apedrejaram.

Estêvão, cheio do Espírito Santo, resiste até o fim e com os olhos fixos no céu, diz: “Eu vejo os céus abertos, e o Filho do Homem, de pé, à direita de Deus”. Com estas palavras, estamos confessando a nossa fé na ressurreição de Jesus Cristo. Estamos também convictos de que nenhum grupo ou instituição, por mais poderosa que seja, poderá “fechar os céus” para ninguém. A salvação é presente de Deus para todas as raças e nações.

Tal mestre, tal discípulo. Estêvão dá a vida por aquilo que acredita. E morre dizendo as mesmas palavras de Jesus, perdoando aqueles que o estão matando... E “adormeceu”.

Nas nossas comunidades cristãs, era costume definirmos a morte, como um “adormecer” para acordar na vida plena de ressuscitados.

FILIPE: O CATEQUISTA MISSIONÁRIO

Saulo está lá presente e concorda com o assassinato de Estêvão. E vai ser um dos grandes perseguidores de homens e mulheres cristãos que se dispersam pela Samaria, Judéia e muitos outros lugares. Estes cristãos, porém, não deixam de anunciar a Boa Notícia de Jesus.

Filipe é uma destas pessoas. Como Estêvão, fora escolhido para o “serviço das mesas”. Filipe também exerce o ministério do anúncio da Palavra. Ele se torna um ótimo catequista. Anima as comunidades da Samaria onde acontecem muitos sinais bonitos: as pessoas possessas eram libertadas e as doentes eram curadas.

Na vida comunitária, baseada no amor e no serviço, é isso mesmo que acontece. No amor mútuo e sincero, a gente se liberta dos medos, das angústias, de tudo o que deixa o coração perturbado. A gente se organiza em vista da saúde, da paz e da alegria em todas as famílias. E ninguém fica de fora porque cada pessoa é conhecida pelo seu nome, acolhida e amada.

SIMÃO: UM EXEMPLO NEGATIVO

Nem todos, porém, tem boas intenções. Simão, através de suas magias, engana o povo. E chega à pretensão de oferecer dinheiro aos apóstolos para adquirir o poder do Espírito Santo.

Simão busca prestígio pessoal usando o nome de Deus. Ainda hoje vocês usam o nome “simonia” para definir a prática do comércio de bens religiosos visando interesses pessoais ou institucionais. Para cortar este mal pela raiz, Pedro o repreende violentamente e pede que se converta se não quiser morrer...

A MISSÃO DE CATEQUESE:
FAZER-SE PRÓXIMO PARTILHANDO A VIDA E A FÉ

Filipe continua sua missão de catequista. Deixando-se guiar por Deus vai ao encontro de um eunuco da Etiópia que estava voltando de Jerusalém. (Conforme costume em muitos reinos, naquela época, alguns homens eram castrados para ficarem inteiramente a serviço dos reis ou rainhas em seus palácios: tornavam-se eunucos).

Felipe se aproxima, interessa-se pela vida daquela pessoa, lê e explica a Bíblia, de forma dialogada, e confere-lhe o batismo. São os passos de uma boa catequese. Pelo batismo, o eunuco torna-se participante ativo da comunidade cristã e um dos evangelizadores da Etiópia e da África...

É verdadeiramente bonita a missão de catequistas!

Pe. Celso Loraschi
Prof. do ITESC

PARA CONVERSAR:

1.º Como aconteceu a escolha das “sete” pessoas para o serviço na comunidade?

  • Por que foram escolhidas estas pessoas?
  • Que tipo de qualidades elas deviam ter?
  • Qual o ministério que elas exerceram?
  • O que significam os números “doze” e “sete” dentro da cultura da época?

2.º Estêvão e Filipe podem ser considerados modelos de catequistas? Por quê?

3.º Que outros pontos nos chamaram a atenção no encontro de hoje?

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