Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Bíblia - Evangelho de Lucas

O EVANGELHO NÃO PODE FICAR PARADO
Conhecendo pessoas portadoras da Boa Notícia em Atos dos Apóstolos (10.ª parte)

Irmãos e irmãs de caminhada!
O caminho de Jesus não tem ponto de chegada. Ele é dinâmico e criativo. É movimento feito por seus seguidores e seguidoras em cada tempo e em cada espaço em que se encontram: na casa e pela rua - na cidade e pelo mundo.

O objetivo é construir um mundo bem humano, acolhedor, ecumênico, com decência e dignidade, com respeito e amor, com justiça e paz.

Hoje vamos conhecer mais algumas pessoas, citadas no livro de Atos dos Apóstolos, que abraçaram a Causa de Jesus. O testemunho delas nos ilumina e nos incentiva a caminhar nesta mesma estrada. O Espírito Santo que as guiava e as entusiasmava, está também no meio de nós. Ele nos ajudará a entender com lucidez os ensinamentos do Mestre de Nazaré e a colocá-los em prática no contexto em que vivemos hoje.

PRISCILA E ÁQUILA: NINGUÉM SEGURA ESTE CASAL!

O capítulo 18 de Atos dos Apóstolos narra o momento em que Paulo, depois de se decepcionar com os intelectuais de Atenas, dirige-se para a cidade de Corinto. Lá encontra um casal que havia sido expulso de Roma pelo imperador Cláudio no ano 49. O historiador Suetônio diz que a causa disso foram os tumultos causados por um tal de Chresto. Ele pode estar se referindo aos seguidores de Cristo. O casal Áquila e Priscila foi se estabelecer em Corinto, cidade portuária, uma das maiores do Império Romano.

Em Corinto, Paulo foi acolhido na casa de Priscila e Áquila e se deram muito bem. Inclusive exerciam a mesma profissão: fabricantes de tendas. Lá Paulo assumiu um compromisso de um significado muito importante para a sua vida. Apesar de ter o direito de ser sustentado pela comunidade, como faziam os outros missionários, Paulo optou por viver com os frutos do seu próprio trabalho.

Ele explica o motivo desta sua atitude: “Anunciar o Evangelho não é título de glória para mim, pelo contrário, é uma necessidade que me foi imposta. Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho! Se eu anunciasse de própria iniciativa, teria direito a um salário; no entanto, já que eu faço por obrigação, desempenho um cargo que me foi confiado. Qual é então o meu salário? É que pregando o Evangelho, eu o prego gratuitamente, sem usar dos direitos que a pregação do Evangelho me confere” (lCor 9,16-18).

Certamente Paulo aprendeu este jeito de ver as coisas junto com Priscila e Áquila, em solidariedade com todas as pessoas trabalhadoras. É bem como hoje em dia: que testemunho bonito estão dando tantos leigos que, além de sustentar a sua família, se dedicam nos trabalhos de suas comunidades cristãs. Quem age assim é porque acredita no que faz e é movido pelo Espírito. Priscila e Áquila tornam-se animadores da comunidade de Corinto.

A sua casa era um dos lugares onde se reunia a Igreja. Também colaboram na evangelização pelo mundo afora, viajando com Paulo numa de suas viagens (At 18,18). Passam a morar, por um tempo, na cidade de Éfeso, de onde Paulo escreve aos cristãos de Corinto, dizendo: “Áquila e Priscila, com a igreja que se reúne na casa deles, vos mandam efusivas saudações no Senhor” (1Cor 16,19). Vencendo o decreto do imperador, eles voltam para Roma e continuam trabalhando naquela comunidade.

Paulo, na carta aos Romanos (16,3-5), escreve: Saudai Priscila e Áquila, meus colaboradores em Cristo Jesus, que, para salvarem minha vida, expuseram a cabeça. Não somente eu lhe sou agradecido, mas todas as igrejas das nações. Saudai também a Igreja que se reúne na casa deles”.

O exemplo deste casal revela algumas características de um modelo de Igreja que nós hoje queremos fortalecer: acolhedora, participativa e missionária; uma Igreja-rede de comunidades, espalhadas por todos os lugares possíveis, a partir das casas; uma igreja que irradia um jeito fraterno de viver.

APOLO: UM CATEQUISTA CHEIO DE CONVICÇÃO E ENTUSIASMO

Quando Áquila e Priscila vão morar em Éfeso encontram um judeu chamado Apolo (At 18,24-28). Ele conhece muito bem a Sagrada Escritura, isto é, a Bíblia dos judeus, que corresponde à maioria dos livros do Antigo Testamento.

Sua catequese a respeito de Jesus era feita com o coração cheio de convicção e entusiasmo. Depois de ouvi-lo, Priscila e Áquila conversam com ele e, juntos, aprofundam ainda mais o conteúdo do Evangelho de Jesus.

A experiência do casal ajuda Apolo a entender ainda melhor sua missão. Ele tem o dom da palavra e faz uso dele para anunciar a Boa Notícia. Mas não fica apenas naquela cidade, viaja para outros lugares e, por onde passa, sabe explicar, com muita clareza e convicção, a respeito do Caminho de Jesus.

Em Corinto, ele é comparado com Pedro e Paulo. Faz tanto sucesso que começa a se formar um grupo de fãs ao seu redor, criando divisões e partidos na comunidade (1Cor 3,4-5).

Apolo sabe que não é a sua pessoa que deve se projetar, mas é a proposta de Jesus Cristo que deve ser seguida. Por isso, ao voltar para Éfeso, ele mostra que não quer fomentar estas divisões e nega-se a voltar para Corinto, apesar da insistência de Paulo (1 Cor 16,12).

É muito importante para os animadores de comunidades não deixar o poder subir à cabeça. Se isso acontece, a mensagem de Jesus fica obscurecida e nada de novo acontece.

As competições, bem como a busca de fama e prestígio, ao invés de construir a fraternidade, cria situações de rixas e divisões. Jesus já havia prevenido que no mundo existem pessoas que se colocam acima das outras, mas “entre vocês não pode ser assim”. Apolo entendeu muito bem o alerta de Jesus.

SILAS, TIMÓTEO...: MUTIRÃO PARA A EVANGELIZAÇÃO

A missão de anunciar o Evangelho pelo mundo afora é tarefa de equipe e não é projeto individualista. Sempre se faz em nome da comunidade cristã, contando com o apoio e a força de amigos e amigas.

Silas e Timóteo foram duas dessas pessoas que se colocaram à disposição para a tarefa missionária. O livro de Atos dos Apóstolos não coloca nenhum discurso que tenham feito pelos lugares em que passavam, mas faz questão de relatar o seu testemunho de doação para animar e fortalecer as comunidades cristãs. Assim, vemos Silas aceitando o convite de Paulo para a segunda viagem missionária (At 15,40-41): “Atravessaram então a Síria e a Cilícia, dando nova força às Igrejas”.

Paulo, ao chegar à cidade de Listra, encontrou-se com um discípulo chamado Timóteo, cuja mãe era judia e o pai era grego (At 16, 1-2). Todos davam bom testemunho a respeito de Timóteo, o qual se juntou a Paulo e também se tornou um missionário. Eles enfrentam tribulações de todos os tipos. Paulo e Silas são perseguidos, arrastados, açoitados e presos na cidade de Filipos (At 16,16-40). Mas, nada impede de continuar sua missão.

Timóteo e Silas chegam da Macedônia quando Paulo se encontra em Corinto, e trazem ajuda material. Assim Paulo pode, por um tempo, dedicar-se inteiramente ao anúncio da Palavra de Deus. Mas diante da oposição dos judeus, Paulo decide dedicar-se aos pagãos. Um deles, chamado Tício Justo, acolhe-o em sua casa. Também Crispo, um chefe de Sinagoga, acolhe a mensagem e toda a sua família adere à fé em Jesus Cristo (18,5-11).

Outros companheiros fazem parte da equipe de missionários, indo de um lugar para outro. Aparece o nome de Erasto (19,22). Em At 20,4, aparecem: de Sópatros (de Beréia), Aristarco e Segundo (de Tessalônica), Gaio (de Derbe), Tíquico e Trófimo (da mema região de Timóteo).

O movimento de Jesus deve ser feito em mutirão, com a ajuda de muita gente. Na casa ou pelas ruas, na cidade onde a gente mora ou viajando pelo mundo, conforme o dom de cada pessoa: o Evangelho não pode ficar parado...

O Evangelho não é uma bela teoria para agradar aos ouvidos de quem tem simples curiosidade de conhecer alguma coisa nova. O Evangelho é proposta de vida que revoluciona o nosso modo de pensar e agir. Quem se esforça para colocar em prática o Evangelho não pode dizer “amém” a um mundo organizado de forma injusta e excludente; não pode entrar no jogo de interesses de grupos que detêm em suas mãos o poder econômico, político e religioso.

O Evangelho é Amor e Justiça que se faz prática em todos os lugares e em todos os dias.

Pe. Celso Loraschi

PARA CONVERSAR:

1.º Ler At 18,1-11 e 18,24-28: Em que estes textos nos ajudam para a nossa ação evangelizadora?

2.º Que outros pontos nos chamam a atenção no encontro de hoje?

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