Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Bíblia - Evangelho de João

NA PÁSCOA NOVA A CERTEZA:
A FESTA HAVERÁ...
O Evangelista João conversando com os cristãos e cristãs de hoje (7ª parte)

Caríssimos!

Estamos entrando na segunda parte do evangelho de João. Ela começa no capítulo 13. Antes, porém, convido vocês a lerem novamente o capítulo 12. Ele faz a ligação entre a primeira e a segunda parte. É praticamente um resumo de tudo o que relatamos até agora. Aí mostramos como as pessoas reagem diante da prática de Jesus: Muita gente acredita nele, por causa dos sinais que realiza, especialmente por causa do grande sinal da ressurreição de Lázaro. Até pessoas estrangeiras, como os gregos, dão sua adesão ao seguimento de Jesus. Porém, as lideranças político-religiosas continuam espionando, perseguindo e tramando a morte de Jesus.

“Seis dias antes da páscoa, Jesus foi para Betânia...” Recordamos, assim, o lugar onde se deu o início da nossa comunidade, na casa de Marta, Maria e Lázaro. Estas três pessoas representam a comunidade de iguais ou a “comunidade dos discípulos e discípulas amados”. É o retrato de nossa comunidade. A referência aos seis dias antes da Páscoa significa que está iniciando uma nova semana.

A primeira parte chamamos de “Livro dos Sinais”, onde registramos sete sinais realizados por Jesus. Todos eles foram realizados em dia de Sábado. Sete sinais realizados no sétimo dia da semana. Sete é o número da plenitude.

Estamos assim revelando que Jesus é Deus presente em nossa história humana garantindo vida em plenitude para todos.

A segunda parte que inicia no capítulo 13, nós a chamamos de “Livro da Glorificação”. Seu ponto alto será o grande sinal da paixão, morte e ressurreição de Jesus. A paixão e morte acontecerá também no dia de Sábado.

Termina, assim, a semana da antiga criação. A ressurreição de Jesus acontece no primeiro dia de uma nova semana. Começa, assim, um novo tempo: o tempo da nova criação.

Vamos com Jesus a Betânia. É um lugar de refúgio. Em Jerusalém os judeus querem matá-lo. Entremos com ele na casa de Marta, Maria e Lázaro a quem ele ressuscitara. Aí oferecem a Jesus um jantar. Num impulso de amor, Maria dirige-se a Jesus e unge os seus pés. Derrama quase meio litro de perfume de nardo puro. Perfume caríssimo: 300 denários. Cada denário corresponde ao valor de um dia de trabalho. Ela enxuga os seus pés com os cabelos. A casa inteira fica impregnada de perfume.

O gesto de Maria é dom gratuito. Maria lava os pés de Jesus e Jesus vai lavar, daqui há pouco, os pés dos discípulos. É um mútuo aprendizado. A nossa “comunidade de iguais” jamais esqueceu destes gestos. Para nós é mais do que uma simples memória, é um programa de vida.

Nem todos, porém, entendem os gestos de gratuidade próprios das pessoas que amam verdadeiramente. Judas é daquele tipo de pessoa que tudo olha na ótica do econômico. Quer tirar vantagem em tudo. E, para isso, mente e engana. Diz até que está preocupado com os pobres, mas, na verdade, sua prática é tirar do que pertence a todos. Faz lembrar os discursos de todos os que fazem a “opção pelos pobres” mas vivem acumulando bens e seguranças pessoais.

Seguir a Jesus é reconhecê-lo, pela prática, como aquele que ama a ponto de doar a sua vida. Por isso ele faz a menção do dia de sua sepultura. Como ele iria morrer como um criminoso, não teria direito ao enterro e, por isso, seu corpo não poderia ser ungido. Maria está antecipando a unção.

Apesar das ameaças, Jesus dirige-se a Jerusalém. Muita gente que está na cidade por causa da festa da Páscoa correm ao seu encontro, dizendo: “Hosana (quer dizer: Deus nos salva)! Bendito o que vem em nome do Senhor, o rei de Israel”.

A saída do povo de Jerusalém ao encontro de Jesus é a proposta da saída do lugar da opressão para uma vida de liberdade. Jesus é o caminho, a verdade e a vida! Não é, porém, pela via do poder político nem religioso. Por isso, entra na cidade como um peregrino pobre, montado num jumentinho.

Quem tem coração de pobre e livre de ambições reconhece o verdadeiro rosto de Jesus. Por isso, alguns gregos, com a ajuda de discípulos, chegam até Jesus. Em nossas comunidades não queremos discriminar ou excluir ninguém. Todas as pessoas são bem-vindas nesta vida de igualdade e amor. É preciso, porém, seguir o caminho de Jesus contra a proposta dos poderosos. É a ‘hora’ de Jesus chegando. A hora em que o grão de trigo vai morrer para produzir muito fruto.


Iniciamos agora a segunda parte do evangelho de João. É o “Livro da Glorificação” ou também pode ser chamada de “o grande sinal”. Enquanto na primeira parte Jesus realizou os sete sinais para resgatar a liberdade das pessoas, agora ele próprio vai entregar livremente a sua vida para superar todo sistema de egoísmo e morte. “Ele, que tinha amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”.

Tudo começa com a ceia de Jesus com seus discípulos antes da Páscoa. A Páscoa é a grande festa que celebra a ação de Deus libertando o seu povo da opressão. As lideranças do Templo deturparam o sentido desta festa. Eles a tornaram oportunidade de exploração econômica e dominação ideológica sobre os pequenos e pobres. Por isso, nós não dizemos que é a “páscoa dos judeus”. O sentido novo desta celebração está colocado no relato do lava-pés.

Jesus, o Senhor e Salvador, “se levantou da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. Colocou água na bacia e começou a lavar os pés dos discípulos...”

Este é um gesto próprio dos escravos que lavavam os pés dos seus senhores. E os escravos só podiam ser os não-judeus. Somente as pessoas livres podiam sentar à mesa para tomar refeições. Jesus, consciente do que está fazendo, tira o manto, isto é, abre mão de todo privilégio social e faz-se um escravo.

Está quebrada toda fronteira que discrimina seres humanos. Fica estabelecida a prática da igualdade e do serviço mútuo.

Ao registrar este episódio, nos lembramos de um dos mais antigos hinos cristológicos que Paulo escreveu na carta aos Filipenses (2, 6-11): “Ele tinha a condição divina, e não considerou o ser igual a Deus. Pelo contrário, esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo...”

Realiza-se também a profecia do servo de Javé anunciada por Isaías (42, 1-9): “Vejam o meu servo, a quem eu sustento: ele é o meu escolhido, nele tenho o meu agrado. Eu coloquei sobre ele o meu espírito, para que promova o direito entre as nações...”

Jesus lavando os pés... É uma cena chocante para quem se ajeita numa sociedade estruturada em classes, hierarquias e jogos de poder. Tão chocante que Pedro não entende e reage contra o gesto de Jesus que se inclina para lavar-lhe os pés. Como é difícil fazer a experiência de Deus que “desce” ao mais baixo da condição humana. Como é difícil perder tudo para entrar na verdadeira liberdade e amar até o fim.

Pedro ainda acha natural uma sociedade de senhores e escravos, de patrões e empregados, de chefes e súditos. Ele representa a todos os que acham normais as relações de desigualdade entre os que tem e os que não tem, entre os sabidos e os ignorantes, entre homens e mulheres...

Pedro representa todas as comunidades que se organizam à moda dos sistemas deste mundo, onde alguns mandam e os outros tem que obedecer... Deixar Jesus lavar os pés é renunciar à prática antiga e aderir ao jeito novo de uma comunidade de iguais. Vocês podem notar que não citamos o nome de quem, por primeiro, Jesus lavou os pés. Assim evitamos falsas interpretações no sentido de colocar esta ou aquela pessoa como a mais importante que as outras. Aliás, é bom lembrar que nosso evangelho é fruto da reflexão partilhada de todas as pessoas participantes de nossas comunidades.

Nos evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) está contado que Jesus instituiu a eucaristia durante a última ceia. Nós, a comunidade do discípulo amado, relatamos a última ceia, sem a instituição da Eucaristia. Nos falamos da Eucaristia no capítulo 6, junto com a multiplicação dos pães e um longo discurso de Jesus a respeito do pão da vida.

O que nós queremos insistir aqui no capítulo 13 é a respeito do serviço amoroso vivido e ensinado por Jesus.

O gesto do lava-pés, que não se encontra nos outros evangelhos, é para nós a revelação de que Jesus é o Messias-Servo, cuja mensagem deve se tornar prática de todas as pessoas que o seguem.

Depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus tira o avental, recoloca o manto e senta-se novamente à mesa. Começa agora a comentar e aprofundar com os discípulos o gesto que acabou de fazer. Estar à mesa em refeição é partilhar o que existe de mais íntimo do coração da gente. Será que todos vão entender?

Vamos abrir o nosso coração e, em grupos, vamos conversar na certeza de que Jesus está em nosso meio.

Pe. Celso Loraschi

1.º Vamos recordar os “sete sinais” realizados por Jesus na primeira parte do evangelho de João. O que estes sinais significam para a vida das pessoas?

2.º O que nos chamou a atenção no encontro de hoje?

3.º Ler todo o capítulo 13 e comentar: a nossa prática (na família, na comunidade, na sociedade) está de acordo com o que Jesus ensinou?

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