Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Catequese "MISSÃO JOVEM"
Bíblia - Cartas Apostólicas
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Em nosso primeiro encontro, na edição anterior do MJ, apresentamos a primeira carta de Pedro. A carta foi escrita em Roma, pelo ano 100 de nossa era, e é resultado da reflexão de nossa comunidade, preocupada em fortalecer a fé e a coragem de nossos irmãos e irmãs que se encontravam em dificuldades na região da Ásia Menor. A lembrança de Pedro está muito viva no meio de nós. Por isso, nós atribuímos a ele a autoria desta carta. A pessoa que secretariou é uma das nossas animadoras de comunidades que expressou os nossos pensamentos, revelando alguns pontos importantes que sustentam a nossa caminhada de fé e de amor, no esforço sincero de seguir com fidelidade os passos de Jesus de Nazaré. Vocês, catequistas e animadores de comunidades, querem aproveitar bem destes nossos encontros? Leiam várias vezes esta carta de Pedro. Mas é preciso ler com a atenção voltada para a realidade do mundo. É preciso ter presente os sofrimentos que marcam a vida de tantas pessoas: discriminações, guerras, corrupção, fome, violências, violações dos direitos humanos... E é preciso perceber os sinais de Deus no meio de toda esta realidade. Esta é a missão que Deus nos deu: ativar a esperança de um mundo justo, fraterno e solidário. ESTRUTURA DA Lendo com atenção, vamos perceber que esta carta é
dividida em várias partes: PRIMEIRA SÉRIE DE EXORTAÇÕES:
viver na santidade para construir a casa de Deus: 1,13-2,10:
SEGUNDA SÉRIE DE EXORTAÇÕES:
seguir a Jesus Servo: 2,11-3,12: TERCEIRA SÉRIE DE EXORTAÇÕES:
esperança militante diante das perseguições:
3,13-4,11: QUARTA SÉRIE DE EXORTAÇÕES:
perseverança nos sofrimentos: 4,12-5,11: O esquema acima servirá de roteiro para os nossos encontros durante este ano de 2003. Quem desejar aprofundar mais e melhor, pode consultar os livros indicados no final de nossa conversa de hoje. ENDEREÇO, SAUDAÇÃO
INICIAL Como era costume na nossa época, toda carta começava com a indicação de quem estava escrevendo (autoria) e das pessoas para as quais estava sendo enviada a carta (destinatários). A pessoa de Pedro está aí citada por causa da importância de sua presença, do seu testemunho e de sua pregação quando esteve no meio de nós, aqui na cidade de Roma, na década de 60. A carta é destinada às comunidades cristãs espalhadas pelas cinco províncias da Ásia Menor: Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia. A Ásia, neste caso, é uma região da parte ocidental da grande região da Ásia Menor. Qual é a realidade destas comunidades? PESSOAS PEREGRINAS Várias vezes os termos peregrinos e forasteiros foram interpretados de forma espiritualista, referindo-se à realidade transitória das pessoas neste mundo, caminhando rumo ao céu. Estas palavras, para nós que lemos a 1Pd, querem expressar, antes de mais nada, a realidade social em que estavam vivendo as comunidades cristãs na Ásia Menor, compostas de pessoas que se achavam fora de sua pátria.
A palavra PEREGRINOS (em grego: paroikoi. Daí vem a palavra paróquia) era usada para designar as pessoas estrangeiras que tinham adquirido o direito de residência. Eram os estrangeiros residentes, os quais podiam morar no país, mas não podiam exercer os plenos direitos de cidadãos. Nas cidades, moravam nas periferias e não tinham condições de ter casa própria. A maioria desta gente ia trabalhar no campo: eram pequenos agricultores, diaristas, arrendatários de terra... Os FORASTEIROS viviam numa situação ainda pior. Eles eram formados de pessoas provindas de outras regiões que não só não podiam exercer o direito de cidadãos, mas também não tinham o direito de permanecer no país. As comunidades cristãs da Ásia Menor eram formadas de peregrinos e, em sua maioria, de estrangeiros. Os ESCRAVOS. Além destes dois grupos, percebemos a presença de escravos (2,18-20) a serviço dos interesses de patrões. Muitas destas pessoas escravas conseguiam participar das comunidades cristãs. A TRADIÇÃO DO ÊXODO Temos assim uma idéia do rosto das pessoas que constituíam as comunidades cristãs da Ásia Menor pelo final do século primeiro. Aqui em Roma nós recebemos continuamente notícias da difícil situação econômica e social que elas estão vivendo. Além disso, nós estamos sabendo também das perseguições, calúnias e difamações pelas quais elas estão passando devido ao testemunho de fé e de amor que contraria aos interesses dos ricos e poderosos. É, sobretudo em momentos difíceis como estes, que nos lembramos de nossos pais e mães na fé, desde a Primeira Aliança que, também, foram estrangeiros em terra estranha e Deus os guiou para a liberdade, conforme lembramos no grande acontecimento do Êxodo. Com estas palavras estamos atualizando a tradição do êxodo que está muito viva no meio de nós. Queremos estender o olhar para além da realidade dura do presente. Somos artífices de um mundo novo, apesar das barreiras que tentam nos impor. Também aqui em roma a pobreza e a perseguição são realidades que nos machucam. Mas a nossa obediência à proposta de Jesus Cristo e seu sangue derramado em favor da vida de todos, vai continuar produzindo no meio de nós muitos frutos. É isto que significa Participar Bênção Da Aspersão Do Seu Da Sangue. Apesar da gravidade de nossa situação, somos peregrinos da esperança viva que nasce da fé em Jesus Cristo que nos gerou de novo por sua ressurreição que, em nossa história, se traduz pela resistência e por uma organização social baseada em relações de fraternidade e de justiça. Prof. Celso Loraschi NOTA: Estes encontros baseiam-se fundamentalmente nos livros: 1. Como ler as cartas de Pedro - O evangelho dos sem-teto, de Paulo A. S. Nogueira, Ed. Paulus. 2. Um lar para quem não tem casa, de John H. Elliott, Ed. Paulinas. 3. As epístolas de Pedro, de Edouard Cothenet, Col. Cadernos Bíblicos nº 38, Ed. Paulinas. 4. As cartas de Paulo, Tiago, Pedro e Judas, Vários autores, Ed. Paulinas. PARA CONVERSAR 1. Ler a 1Pd e levantar os pontos que caracterizam a situação das comunidades cristãs da Ásia Menor. 2. Existem em nossa sociedade peregrinos, estran- geiros e escravos hoje? Como vivem? 3. A esperança viva que nasce da fé em Jesus Cristo se expressa em ações concretas. Quais as que já existem e quais as que poderiam ser iniciadas ou ativadas? |
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